26 de abril de 2021

À própria sorte: mulheres e direitos reprodutivos durante a pandemia no Brasil

Autor: Emanuelle Goes*


E disse o Ministro da Saúde, em resposta às mortes maternas em decorrência da Covid-19: “atrasem a gravidez”.


Este é o mesmo Estado que só permite o aborto legal em três situações mas que, mesmo assim, mulheres e meninas que têm esse direito reprodutivo garantido são tratadas como se tivessem realizando um ato criminoso, como vimos no caso da menina de 10 anos do Espírito Santo.

 

Os direitos sexuais e reprodutivos vivem em constante ameaça nos contextos de crises humanitárias e isso se agrava quando se associa com Estados negacionistas como o Brasil, que tem como principal agenda o retrocesso e a violação dos direitos das mulheres, da população negra, dos povos indígenas e da população LGBTQ+.

 

Após a declaração da Organização Mundial de Saúde sobre o início da pandemia do novo coronavírus, as políticas públicas de saúde global foram direcionadas para a contenção da Covid-19. Ainda que a organização tenha considerado o aborto como serviço essencial, um mês após o início da pandemia isso não foi levado em conta por países como o Brasil. O país registrou uma redução dos serviços de atenção ao aborto legal, precarização na atenção e cuidado do pré-natal e baixa oferta de insumos e métodos contraceptivos, uma realidade vivenciada em diversas partes do mundo.

 

Nos vários países da América Latina, houve um aumento dos partos extra-hospitalares, chegando a 30%. Na Argentina ocorreu um aumento de 536% das consultas telefônicas sobre a interrupção legal da gravidez durante a pandemia. No Brasil, pesquisas apontaram redução de 55% dos serviços de aborto legal e o aumento significativo das mortes maternas. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas, estima-se que 12 milhões de mulheres podem não ter conseguido acessar os serviços de planejamento reprodutivo em consequência da pandemia. Como resultado dessas interrupções, presume-se que podem ter ocorrido cerca de 1,4 milhão de gravidezes indesejadas em países de média a baixa renda.

 

Clique aqui e leia a análise na íntegra.

 

Publicação originalmente publicada no Portal Catarinas.
*Doutora em Saúde Pública com concentração em Epidemiologia (ISC/UFBA). Mestra em Enfermagem pela UFBA com concentração em Gênero, Cuidado e Administração em Saúde. Idealizadora do blog População Negra e Saúde (2011) e fundadora do Odara – Instituto da Mulher Negra (2012). Conselheira editorial do Portal Catarinas.



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