Vacinas já, financiamento para a pesquisa e para o SUS e banimento de falsos tratamentos medicamentosos

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 12 de março de 2021
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Em carta aberta, os coordenadores de área do Colégio de Ciências da Vida da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que reúne 17 áreas de avaliação, lamentam as mais de 260 mil vidas perdidas pela Covid-19 e pedem a preservação da vida do povo brasileiro “acima de qualquer outra prioridade”.

 

O documento destaca o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento da crise sanitária que o país vive, apesar de todos os cortes orçamentários que tem sofrido e da Emenda Constitucional 95, que tem colocado “uma camisa de força orçamentária” e impedido que gastos necessários para salvar vidas sejam feitos.

 

A carta também chama a atenção para a importância das pesquisas feitas nos Programas de Pós-Graduação da Área das Ciências da Vida, que têm ajudado na compreensão de diversas questões relacionadas à Covid-19 – desde aspectos mais fundamentais da biologia do vírus, até estudos na área de saúde pública e pesquisas epidemiológicas.

 

“Essas e outras pesquisas relevantes para o desenvolvimento soberano do país estão agora ameaçadas pelos cortes no financiamento à pesquisa feitos nos últimos anos no Brasil. Além disso, essas pesquisas realizadas nesses Programas de Pós-Graduação são conduzidas por estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutores, e, da mesma forma, também o número dessas bolsas tem sido reduzido nos últimos anos, comprometendo futuras gerações de pesquisadores no Brasil”.

 

Leia as medidas urgentes no Brasil apontadas na carta:

 

1. Vacinação em massa da população e em velocidade maior do que ocorrida até o presente momento, já que esta é a única estratégia eficaz para conter a evolução da pandemia. Vacina sim, e já, e para todos!

 

2. Enquanto não conseguimos implementar a vacinação de toda população, é essencial reforçar a adoção de medidas sanitárias que reduzam a taxa de contágio da doença, que podem, inclusive se necessário, incluir o fechamento parcial ou total do comércio não essencial, escolas e serviços em cidades onde o sistema de saúde se aproxima do colapso, para evitar perda de vidas por falta de atendimento. Essas medidas duras e amargas fazem-se necessárias para diminuir a disseminação do vírus, a velocidade com que novos casos surgem e, principalmente, reduzir as chances de aparecimento de novas variantes do vírus.

 

3. Reforço através de campanhas publicitárias nacionais enfatizando a necessidade imperiosa da adoção das medidas sanitárias recomendadas pelas principais agências mundiais de saúde como o distanciamento social e o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras.

 

4. Banimento definitivo de tratamentos medicamentosos inócuos e enganosos para a prevenção da infecção pelo coronavírus propagandeados nas mídias sociais, para os quais não existem evidências científicas de sua eficácia. Somente a vacinação e medidas sanitárias preventivas têm esse papel cientificamente comprovado.

 

5. Maior destinação orçamentária que permita o financiamento das atividades de pesquisa e de bolsas para os estudantes de pós-graduação do país, evitando que grupos de pesquisa e Programas de Pós-Graduação se desmanchem e que cérebros sejam perdidos.

 

6. Maior destinação orçamentária ao SUS, o maior sistema de saúde pública do globo, que precisa ter condições para garantir atendimento de qualidade aos seus usuários, em especial durante esta pandemia, evitando que médicos tenham que fazer “escolhas de Sofia” inimagináveis e desumanas.

 

Colégio de Ciências da Vida

– Ciências de Alimentos

– Ciências Agrárias

– Medicina Veterinária

– Zootecnia / Recursos Pesqueiros

– Biodiversidade

– Ciências Biológicas I

– Ciências Biológicas II

– Ciências Biológicas III

– Educação Física

– Enfermagem

– Farmácia

– Medicina I

– Medicina II

– Medicina III

– Nutrição

– Odontologia

– Saúde Coletiva





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