“Tempos de decisões autoritárias”, declara Sonia Fleury sobre demissão da FGV

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 28 de março de 2018
Atualizado em: 3 de janeiro de 2022

A cientista política Sonia Fleury divulgou carta aberta sobre sua demissão da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV). No documento, a pesquisadora, que coordenava o Programa de Estudos sobre a Esfera Pública da FGV, relata a curta conversa, que aconteceu no dia 13 de março, com Flávio Vasconcelos, diretor da Fundação, e dois outros integrantes do grupo dirigente sobre sua demissão, justificada com uma única frase: “tenho um mandato para fazer renovação”. Sonia Fleury teve participação ativa no movimento da Reforma Sanitária e contribuição decisiva na formulação e implementação do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisadora foi consultora da Assembleia Nacional Constituinte e ajudou a redigir o capítulo da Seguridade Social.

 

Na carta a pesquisadora fala sobre a retirada de sua participação nas disciplinas Política Social e Sistema Político Brasileiro, duas áreas de formação que ajudou a consolidar, durante a atual gestão da Ebape/FGV – “Tempos de decisões autoritárias e casuísticas em que falar em inglês foi igualado a raciocinar e buscar a todo custo aumentar a pontuação na CAPES tornou-se o único objetivo institucional, substituindo a discussão sobre o projeto pedagógico e nossa contribuição ao desenvolvimento nacional!”.

 

Sonia Fleury é a professora mais produtiva da instituição, onde atuou por 35 anos, com 143 artigos publicados em revistas científicas, 25 livros e coletâneas nacionais e publicados e/ou traduzidos em outros países.

 

Leia a carta na íntegra aqui

 

Repercussão

 

A Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva e o Cebes – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde publicaram nota de solidariedade à pesquisadora. Uma petição pública está recolhendo assinaturas contra a demissão – “mais uma ação da EBAPE/FGV no sentido de destruir a Administração Pública e cercear o pluralismo e o debate de ideias na escola” (veja aqui).

 





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