Setor suplementar de saúde pode ser a saída para reduzir filas no SUS?
Autor: Patrícia Conceição
Publicado em: 30 de abril de 2025
Atualizado em: 1 de julho de 2025
O Ministério da Saúde (MS) anunciou o desenvolvimento de proposta de um novo modelo de gestão para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), que coloca em cena a ampliação de parcerias com hospitais privados, operadoras de planos de saúde e estruturas da medicina suplementar. O objetivo é ampliar a oferta de serviços, integrar profissionais ao atendimento público e facilitar o acesso da população a consultas especializadas, exames e cirurgias, especialmente para diagnóstico e tratamento de câncer.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as proposições para reformular as parcerias com o setor suplementar estão sendo discutidas pela pasta, em conjunto com a Casa Civil e outros ministérios, e a expectativa é que sejam divulgadas em breve. “Um dos principais compromissos do presidente Lula é garantir que a população brasileira tenha acesso ao atendimento médico especializado no tempo certo, especialmente em casos graves como o câncer. Para cumprir essa meta, estamos trabalhando em um redesenho estratégico das parcerias com o setor privado”, afirmou Padilha, em entrevista coletiva nesta terça-feira (29).
Para o titular da Saúde, a integração com o setor suplementar é fundamental para enfrentar o represamento de cirurgias, exames e diagnósticos durante a pandemia de Covid-19. O plano inclui aproveitar a capacidade instalada da rede privada, muitas vezes ociosa, e leva em consideração uma pesquisa, prevista para ser divulgada nos próximos dias, sobre a concentração de médicos/as especialistas em estruturas privadas, que muitas vezes não prestam atendimento ao SUS.
A estratégia de buscar parcerias no setor suplementar para redução de filas é alvo de debate entre pesquisadores/as e defensores/as do SUS porque ao mesmo tempo em que representa uma possibilidade para o Estado de reaver os bilhões em dívidas acumuladas pelo setor privado, também adia a discussão sobre a necessidade de expansão da rede hospitalar do SUS, que concentra cerca de 67% dos leitos disponíveis do país, parte deles em instituições privadas conveniadas.
Mais Acesso a Especialistas
A iniciativa está inserida no contexto do Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), voltado para ampliação do cuidado e do acesso à Atenção Especializada em Saúde (AES), com foco na redução da espera para consultas e exames especializados, a partir do encaminhamento pelas equipes de Atenção Primária. Lançado no ano passado, o programa é uma das principais bandeiras da gestão de Padilha na pasta.
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