Rede nacional articula públicos para fortalecer educação e trabalho no SUS

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 28 de janeiro de 2026
Atualizado em: 28 de janeiro de 2026

As propostas, desafios e articulações da Rede Nacional de Trabalho e Educação na Saúde (Retes), lançada durante o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão, são tema da última edição do boletim do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS). Uma iniciativa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), apoiada pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), a Rede pretende se constituir como espaço de referência sobre a área a partir da produção de conhecimentos estratégicos, propostas para a agenda governamental e estímulo de práticas educacionais alinhadas às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A Retes se configura como dispositivo estratégico de articulação, escuta e produção de conhecimento, capaz de fortalecer a atuação da SGTES ao conectar política pública, ciência, território e trabalho vivo em saúde. Quando a Rede se fortalece, a gestão ganha densidade, a educação ganha sentido e o SUS ganha futuro”, destaca o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES/MS), Felipe Proenço.

Para o presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, nesse exercício de conexão a participação dos mais diversos atores do campo – instituições de ensino e pesquisa, conselhos profissionais, organizações internacionais, gestores/as, movimentos sociais, sindicatos – é fundamental. “Trata-se de um esforço de elevar as ações que estão em curso em iniciativas mais abrangentes e mais qualificadas, fortalecidas pela troca de experiências e aprendizado mútuo”, salienta.

A área de Trabalho e Educação na Saúde tem reunido um conjunto diverso de pesquisas voltadas para a compreensão sobre a formação e atuação de profissionais que sustentam os sistemas de saúde. O olhar sobre as articulações entre formação profissional, organização do trabalho e políticas públicas no âmbito do SUS inclui estudos sobre processos de formação, condições e organização do trabalho, relações entre educação e serviços, desenhos curriculares, mecanismos de regulação, avaliação e expansão da formação, entre outros.

Coordenadora do GT Trabalho e Educação na Saúde da Abrasco, Márcia Teixeira (ENSP/Fiocruz) elenca como pontos importantes para fortalecimento da rede a articulação voltada para o desenvolvimento de projetos colaborativos, a redução da assimetria de informações, a busca por soluções alternativas para problemas compartilhados e a incidência estratégica na formulação de políticas públicas voltadas ao trabalho decente no Brasil. “Para se consolidar como referência nacional e influenciar a agenda governamental, a rede deve priorizar a difusão de políticas setoriais, de iniciativas governamentais de organização e regulação do trabalho e da educação em saúde, bem como da produção acadêmica e das ações coletivas organizadas pelos trabalhadores”, destaca.

Segundo a coordenadora da Retes, professora Isabela Cardoso (ISC/UFBA), a iniciativa pretende se debruçar sobre questões centrais que envolvem a formação das trabalhadoras e trabalhadores da saúde, bem como suas vivências nos mais diferentes cenários do setor, entre elas o necessário debate em torno da mercantilização da educação, da qualidade da formação, do contexto da transformação digital no SUS, dos modelos de formação e da necessidade de reinventar pedagogias. Para a pesquisadora, o maior desafio na organização de uma rede é a construção das conexões necessárias para o cumprimento dos seus objetivos: “Podemos definir essa rede com 3 palavras – horizontalidade, diálogo e parceria – que se concretiza com mobilização, inclusão e valorização da capacidade do trabalho coletivo”.

Clique aqui para ler o boletim na íntegra! 





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