Produção científica brasileira volta a crescer após dois anos de declínio, aponta relatório

Autor: Patrícia Conceição
Publicado em: 7 de janeiro de 2026
Atualizado em: 17 de junho de 2026

O ano de 2024 marcou uma retomada no crescimento da produção científica brasileira após dois anos de queda. É o que aponta o relatório Bori-Elsevier, que analisou a publicação de artigos científicos em 54 países, no período de 1996 a 2024. No Brasil, o aumento foi de 4,5%, em comparação a 2023, chegando a um total de 73.220 documentos. A quantidade de artigos publicados em instituições de pesquisa brasileiras coloca o país em 14º lugar no panorama mundial.

Intitulado “2024: retomada no crescimento da produção científica no Brasil e em outros 51 países”, o trabalho considerou a soma de 2.915.756 artigos, em todas as áreas do conhecimento, excluindo publicações como editoriais e revisões. O aumento na produção foi registrado em 51 dos 54 países analisados; apenas Rússia e Ucrânia apresentaram uma variação negativa (-6,3% e -0,6%, respectivamente).

Os dados mostram uma relação entre o aumento da quantidade de artigos e do número de autores/as em cada país, a partir do incremento da formação de mestres/as e doutores/as. No Brasil, o número de autores/as por milhão de habitantes quase quintuplicou entre 2004 e 2024 – um salto de 205 para 932.

O incremento registrado em 2024 reverte uma tendência de retração observada em 2022 e 2023, avanço que pode ser atribuído a múltiplos fatores, segundo Sabine Righetti, cofundadora da Agência Bori, entre eles “o fim dos reflexos mais pesados da Covid-19 sobre a rotina de pesquisa e a recuperação dos financiamentos à ciência, que ajudam a destravar projetos e a manter a produtividade das instituições”.

O relatório também avaliou a variação da produção de 32 instituições de pesquisa brasileiras com mais de mil artigos em 2024 e a Taxa de Crescimento Anual Composta (TCAC), uma média do crescimento ao longo dos anos que ajuda a identificar tendências de longo prazo. O indicador – 3,4% ao ano entre 2014 e 2024 – coloca o Brasil na 39ª posição entre os 54 países analisados, sugerindo uma perda de fôlego em relação a períodos anteriores.

“Essa perda de vigor não é só um ‘problema de artigos’: ela acompanha a desaceleração no crescimento do número de autores (um indicador do contingente de pesquisadores ativos). A TCAC do número de autores no Brasil ficou acima de 13% ao ano até 2013, mas entrou em queda a partir daí, chegando a 4,8% ao ano no decênio encerrado em 2024”, aponta o documento.

Clique aqui para ler o relatório na íntegra.





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