Pesquisadores/as do OAPS falam sobre desafios do trabalho em rede
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 5 de julho de 2016
Atualizado em: 23 de dezembro de 2021
Com objetivo de cumprir a missão de articular uma rede de pesquisadores/as da área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde para criação de um espaço crítico sobre as políticas de saúde do país, o Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) reúne em seu Conselho Consultivo e eixos temáticos representantes de diversas instituições que contribuem para o desenvolvimento de estudos e projetos, além de apoiar decisões, encaminhamentos e deliberações. A quinta edição do boletim informativo do OAPS/CDV conversou com estes/as pesquisadores/as sobre os desafios da produção de conhecimentos em rede e a importância do diálogo com outros/as pesquisadores/as, profissionais de saúde e sociedade.
Doutor em Política Pública e Formação Humana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Júlio França, que integra o Conselho Consultivo do OAPS, avalia a iniciativa como “uma ousadia que se expressa pelas múltiplas temáticas abordadas e pesquisas que compõem cada eixo”. “Sem dúvida se trata de um esforço coletivo admirável de produção de conhecimentos tão necessários para a construção do SUS Universal, do SUS que queremos”, diz.
Para Paulo Frazão, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) e colaborador do eixo Análise de Políticas de Saúde Bucal no Brasil, essa articulação de pesquisadores/as de instituições e áreas diversas “pode impulsionar a pesquisa interdisciplinar, identificando e superando as dificuldades para compartilhar e reconhecer as diferenças de linguagens, métodos, e objetivos das várias disciplinas; e os constrangimentos institucionais e profissionais para a prática interdisciplinar”.
Tania França, integrante do Conselho Consultivo do OAPS e pesquisadora do eixo Trabalho e Educação na Saúde, defende que o trabalho em rede deve ser encarado com uma “estratégia de solidariedade e de respeito com os parceiros que não têm as mesmas oportunidades de pesquisa e de acesso aos órgãos de fomento”. “Temos que pensar que hoje a produção de conhecimento está concentrada em centros de excelência que estão localizados nos principais centros urbanos e econômicos do país e que dispõem de alta concentração de pessoal qualificado para pesquisa (doutores); horas disponíveis para atividades científica, boa infraestrutura física e acesso a recursos financeiros”, afirma.
Apesar das possibilidades de divulgação de informações de forma ágil e prática, a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Janete Lima de Castro, que integra o eixo temático Trabalho e Educação na Saúde, acredita que a produção de conhecimentos por pesquisadores/as de saúde ainda não tem aproveitado toda a potencialidade das tecnologias para incrementar a integração dos estudos. “Desconfio que o motivo é que ainda não aprendemos a sair do nosso umbigo, ou seja, a interagir com o outro, ainda que este outro seja um possível parceiro. Mas, o contexto nos desafia, temos que fazer isso se quisermos que nossos trabalhos sejam relevantes, responsáveis, úteis e reconhecidos. Eu diria que o nosso maior desafio é aprendermos a trabalhar com o outro, ou melhor, termos disponibilidade de trabalhar com o outro”, avalia.
Para que as pesquisas realizadas tenham potencial de aplicação, Katia Rejane de Medeiros, pesquisadora vinculada ao eixo temático Trabalho e Educação na Saúde e integrante do Conselho Consultivo do OAPS, considera fundamental a aproximação da academia com os profissionais de saúde e a sociedade. Para Katia, este é o grande desafio de todas as instituições acadêmicas. “É como se essa relação em que se procura tornar mais inteligível, mais compreensível a produção acadêmica, ao mesmo tempo que faz um salto positivo para os profissionais e para a sociedade, ela também é um salto positivo para as instituições acadêmicas no sentido de dar visibilidade e legitimidade social”, explica.
Para ler os depoimentos na íntegra, acesse aqui a 5ª edição do boletim informativo do OAPS/CDV!
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