Pesquisa aponta protagonismo de organizações feministas no enfrentamento à violência de gênero durante a pandemia

Autor: Patrícia Conceição
Publicado em: 21 de maio de 2025
Atualizado em: 5 de agosto de 2025

A pandemia de Covid-19, o necessário isolamento social e o desmonte de políticas públicas pelo governo federal no período conformaram um cenário de crescimento da violência contra as mulheres. Em 2021, 1.437 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil e foi registrado aumento em todos os indicadores de violência doméstica e sexual, segundo dados do 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Diante desse contexto desafiador, o estudo “Enfrentamento à violência contra mulheres: Estratégias feministas na crise sanitária e política”, publicado na revista Cadernos Gestão Pública e Cidadania, nesta quarta-feira (21), destaca o protagonismo de organizações feministas.

O trabalho se debruçou sobre as estratégias de seis organizações não-governamentais e dois coletivos feministas em interações locais, estaduais e nacionais, institucionais e não institucionais, a partir da realização de entrevistas e da análise de sites e redes sociais. Os resultados revelam que as iniciativas de combate à violência de gênero durante a pandemia dependeram da ação solidária, conhecimentos e habilidades dos movimentos feministas, que mostraram repertórios flexíveis ao reinventar suas práticas, articulações e esferas de atuação, diante dos desafios colocados pelo distanciamento social e pelas barreiras tecnológicas.

As práticas incluíram a elaboração de documentos e dossiês técnicos para pressão política, articulações com o Legislativo para pautar a produção de projetos de lei, realização de lives e webinários, manutenção de plataformas de informações online, monitoramento de serviços públicos voltados para mulheres em situação de violência, além de ações coletivas de caráter solidário para distribuição de alimentos e itens de higiene.

“Os repertórios convencionais flexibilizaram-se para incorporar formas de atuação diferentes, com aquelas simultaneamente políticas e pragmáticas no contexto emergencial, pois mobilizavam sentidos propostos pelas redes feministas e pressionavam o Estado, enquanto não deixaram de assumir papéis que antes eram (ou deveriam ser) desempenhados pelo próprio Estado – como a gestão de serviços, encaminhamento para atendimento, apoio para acesso a abrigo e outras iniciativas de assistência social”, explicam as pesquisadoras.

O estudo ressalta que essas entidades atuaram como substitutas do Estado ao assumir funções como a oferta de serviços de acolhimento, orientação jurídica, formação profissional e apoio psicossocial, em um cenário marcado pela contração das políticas públicas para mulheres e cortes no financiamento. “Ainda que a investigação não generalize seus resultados para toda a experiência brasileira com o tema, a pesquisa permite reconhecer a tendência de que a implementação de políticas públicas por instituições da sociedade civil convergiu com o movimento maior de retração dos Estados, pautado pelo projeto político neoliberal”, assinalam as autoras. Clique aqui para ler o artigo na íntegra e aqui para ler o release divulgado pela Agência Bori.





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