Outorga de Professor Emérito: comunidade ISC/UFBA e sanitaristas homenageiam Jairnilson Paim

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 9 de setembro de 2021
Atualizado em: 7 de outubro de 2025

Atualizado em 10.09.21

Nesta quarta-feira (08), Jairnilson Paim recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em sessão solene que reuniu na plateia virtual dirigentes, colegas, amigos/as, familiares, alunos/as e admiradores/as. Conduzida pelo reitor João Carlos Salles e pela diretora do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA) Isabela Cardoso, a cerimônia reuniu discursos, cumprimentos emocionados, pronunciamentos em defesa da democracia e homenagens ao professor, que com mais de 50 anos de vida acadêmica é uma referência no campo da Saúde Coletiva e na luta pela Reforma Sanitária Brasileira.

Como diretora do ISC/UFBA, Isabela fez questão de registrar o “reconhecimento, afeto e gratidão ao Professor Jairnilson, que será sempre para nós exemplo de dedicação, respeito, generosidade, justiça, ética, dignidade e compromisso com a coisa pública! Está entre os mestres que marcam profundamente com palavras, ações, poesia e afeto a vida daqueles que têm a sorte, como eu, de conviver com ele”.

A trajetória de “Jair”, “Jai” ou “o professor”, como costuma ser chamado, foi tema do discurso de Isabela, que destacou a impossibilidade de sintetizar, em poucas palavras, a sua enorme contribuição para a constituição do campo da Saúde Coletiva na América Latina e no Brasil, especialmente na área de Política, Planejamento, Gestão e Avaliação em Saúde: “A sua trajetória, enquanto sujeito epistêmico e militante, se fez pelo estudo e pesquisa, desde que ingressou como estudante de medicina, nesta universidade, e nos últimos 54 anos, no convívio cotidiano com colegas e alunos do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina e, depois, no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, do qual foi um dos fundadores, responsável pela elaboração do projeto ético-político que nos guia e ilumina até hoje”.

E continuou: “Extrapolando os limites da Universidade, Jairnilson exerceu e exerce posição de destaque na construção do movimento da Reforma Sanitária Brasileira, participando da fundação e desenvolvimento da luta do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde) pela democratização da Saúde nos anos 70-80, contribuindo para o reconhecimento do Direito à Saúde na Constituição Federal de 1988, na implementação do SUDS (Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde) na Bahia, em suas palavras, ‘estratégia-ponte’ para a criação do SUS, tornando-se, ao longo dos últimos 33 anos, uma das vozes mais relevantes da intelectualidade da Saúde Coletiva, na análise crítica e construtiva do processo de implementação do Sistema Único de Saúde. A posição ocupada pelo Professor Jairnilson tem sido motivo de orgulho para a comunidade acadêmica e de profissionais de saúde e, especialmente, para a comunidade do Instituto de Saúde Coletiva, onde formou gerações, criando espaços para a produção de debates, utopias e ideias que viraram projetos, desencadeando processos e ações voltadas ao aperfeiçoamento das práticas de ensino, pesquisa e cooperação técnica interinstitucional”.

Para marcar esse momento tão especial, reunimos alguns depoimentos de amigos/as, colegas e companheiros/as de luta neste espaço do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), projeto do qual foi coordenador-geral e atua como editor-chefe. Com certeza, muita gente ficou de fora, mas quem aqui aparece representa um pouco do afeto e admiração suscitados pelo mestre, agora Professor Emérito: Jairnilson Silva Paim.

 

*Depoimentos publicados por ordem de envio:

 

Jairnilson: um analista lapidando a trajetória da Reforma Sanitária e do SUS

O trabalho de lapidação de um pesquisador envolve não só um rigor técnico como conceitual, um trabalho de garimpo de informações como de organização dos achados dentro de uma marco analítico que construa um fio condutor e a possibilidade de compreensão e transformação da situação.

Assim eu vejo a importante contribuição que Jairnilson tem dado à Saúde Coletiva desde a formulação da Reforma Sanitária, a construção do SUS, a análise crítica de suas limitações e possibilidades. Além disso, trata-se de um professor no sentido pleno do termo, aquele que professa a missão de transmitir o conhecimento, partilhar seus achados, levar seus alunos e companheiros a pensar juntos.

Sua militância no Cebes – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde tem sido constante nessas décadas, mantendo a coerência de uma práxis que não pode se esgotar no trabalho acadêmico, transbordando para a ação política imprescindível para assegurar a construção de uma sociedade mais justa, sob o primado do direito universal à saúde.

Parabéns pela merecida titulação como Professor Emérito, posição que, de fato, Jairnilson já ocupava na Saúde Coletiva.
Sonia Fleury (Doutora em Ciência Política e Pesquisadora Sênior do Centro de Estudos Estratégicos (CEE/Fiocruz)

 

Muitas são as razões para render homenagem ao Prof. Jairnilson Paim, esse homem de bem, que construiu uma belíssima carreira de professor e pesquisador em Saúde Coletiva na UFBA, orientando sucessivas gerações de estudantes, com densos conhecimentos e exemplar sabedoria e, através do seu trabalho, escrevendo uma história de enorme contribuição à Saúde Coletiva brasileira.

Dotado de uma grande sensibilidade no exercício do trabalho docente, o Prof Jairnilson Paim foi sempre uma inspiração para seus estudantes, estimulando-os a exercitarem o melhor de si, na busca da verdade e na construção de um conhecimento consequente e comprometido com melhores condições de vida para toda a população brasileira.

Professor solidário, humano, criativo, inovador, exemplar no exercício do seu trabalho, Jairnilson ousou nos métodos de ensino, mas também nos trabalhos de construção das bases da Reforma Sanitária brasileira e do SUS, sendo incansável nas contribuições a modelos aplicáveis ao Sistema de Saúde brasileiro e também de outros países, sempre interagindo com sua visão madura e solidária. Um exemplo de competência, amizade e solidariedade com os povos desses países e do seu país.

Tive a honra de conhecê-lo ainda no Colégio João Florêncio Gomes nos nossos estudos pré-universitários e posteriormente acompanhá-lo em sua brilhante carreira; fui duas vezes sua orientanda, experimentando um crescimento pessoal e profissional contínuo, mas também da amizade e admiração que passei a compartilhar em diferentes espaços de trabalhos realizados pela Reforma Sanitária, na Bahia e Brasil afora.

Meus cumprimentos ao Professor Jairnilson Paim pelo recebimento do título de Professor Emérito da UFBA. Ao querido MESTRE Jai, o meu carinho, admiração e eterno agradecimento!!!!

Viva Jairnilson Paim!!
Tânia Celeste Nunes (Doutora em Saúde Pública e tecnologista sênior aposentada da Fiocruz)

 

Jairnilson es un verdadero maestro. No enseña lo que debes pensar, sino cómo pensar. Es un ejemplo, además, porque incita a no quedarte solo con su ejemplo. Insta a escribir, a decir, a ser y volar más allá. Su pensamiento, generoso, a la vez situado y pluriversal, interpela socio-históricamente sin atarse al pasado, sino más bien convocando a la coherencia entre el discurso y la acción desde el hacer-hoy; es una sutil pero firme invitación a la lucha, constante, por la superación individual y -en especial- colectiva. En síntesis, está motivado por el amor, en tanto ninguna existencia le es indiferente. Gracias eternas a su “querida presencia”.

Fuerte abrazo
Leonardo Federico (Doutor em Saúde Coletiva e docente no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade de Lanús)

 

Jair, o pensamento crítico e a generosidade afetiva

Certa feita escrevi: “Na trilha da melhor referência de pensamento crítico, Jairnilson Paim nos brinda com um texto de imenso valor. Não que tal qualidade seja inusitada em sua obra. Pelo contrário, Jairnilson pertence, sem dúvida, ao que existe de melhor na produção da Saúde Coletiva. Há, neste texto, contudo, algo novo que quero comentar, além dos dados, ângulos de análise ou interpretações originais. Tudo isto, também. Afinal, esta tem sido a marca de toda a produção do autor: ela acrescenta e se move”.

Tratava-se de comentar um novo estudo seu sobre a Reforma Sanitária brasileira. Surge ali o pesquisador, que nos mostra o que a Saúde Coletiva buscou instituir de melhor: “a ciência engajada com a transformação social e nem por isso menos científica” e fundada, como se declara o autor, em sua “conexão sentimental” com a Reforma Sanitária.

Registrava, assim, ali, o que, à época, pouco comentei, e hoje quero saudar: essa força afetiva que tão bem caracteriza Jairnilson. É dela que, como pesquisador e autor, ele nos toca. É essa força de presença no texto que, como sujeito pleno, Jairnilson inscreve a si mesmo nas construções reflexivas que faz, gerando, nesse gesto genuíno, grande potência dialógica: seu leitor não restará neutro, levado, igualmente, a reflexões e posicionamentos.

Não é nada simples realizar-se e expor-se como sujeito: é sempre empreendimento da maior responsabilidade ética e política. Talvez em textos pareça, para muitos, mais viável. Muitas vezes conhecemos as obras escritas e por elas imaginamos seu autor. Quantas vezes a obra nos pareceu mais contundente e o autor mais tímido, reservado, e até pouco interativo!

Creio que, ao revés desse contraste, Jairnilson marca sua presença nos vários espaços em que se situa: nos textos, como pesquisador e pensador; em suas falas, nos congressos ou eventos; em suas aulas, como docente e educador; nos cafezinhos, nos corredores, nas rodas de amigos… Onde estiver se dispõe dessa forma genuína que torna a conversa fácil, porque interessante e instigante, e sempre profunda! Porque ele é generoso em afetividade, generoso em interações!

Merecedor de nossas homenagens, agradeço hoje ter podido compartilhar dessa sua tão humana presença: Jair, parabéns e muito obrigada.

Lilia Blima (Doutora em Medicina Preventiva e docente na USP)

 

Em nome de todos os colegas do ISC ativos e também dos que não fazem mais parte do quadro, nós, Ana Cardoso e Elaine Carvalho, nos sentimos muito honradas e felizes em fazer parte desse momento tão especial na vida de um ser humano tão querido e único, como o professor Jairnilson.

O que falar dessa pessoa ímpar?! Resiliência, dedicação, comprometimento, motivação e respeito são qualidades que o definem muito bem.

Professor Jair, como costumamos chamar em meio a suas tantas responsabilidades, obrigações e demandas, sempre tem um tempo para ouvir e ajudar a todos que o solicitam. Tem o dom da palavra, sabe respeitar e reconhecer os valores do próximo.

Agradecemos pela sua amizade, pelos momentos de alegria, conversas, aprendizados e por ser essa pessoa tão íntegra.

Ana Cardoso e Elaine Carvalho, funcionárias do ISC/UFBA

 

Lá pelos idos dos anos 70 do século passado, ainda um jovem estudante de Medicina, entrei em contato com artigos do prof. Jairnilson publicados na Revista Saúde em Debate do Cebes. O Cebes e sua revista foram meu primeiro espaço de aproximação com a Saúde Coletiva, então Jairnilson para mim sempre teve um significado de iniciação nas lides e paixões da Reforma Sanitária. Depois, nas décadas que se seguiram, sempre acompanhei de perto sua produção acadêmica que, de forma muito presente, lançou permanentemente luzes sobre os caminhos e descaminhos da construção do SUS em nosso país.

Então, para mim, Jairnilson sempre esteve muito presente como amigo, como referência e como companheiro nesse processo tão rico e tão complexo da saúde brasileira.

Neste momento me junto aos seus incontáveis amigos, alunos, orientandos e fãs por esse Brasil afora: “Parabéns, Jairnilson!”.
José Gomes Temporão (Doutor em Saúde Coletiva, ex-ministro da Saúde e pesquisador na ENSP/Fiocruz)

 

Jairnilson Silva Paim, o brilho de um socialista da saúde.

Apesar de ser professor titular, pesquisador 1A do CNPq e agora emérito, Jairnilson Paim gosta de se definir como socialista da saúde. E essa identidade também sintetiza a sua trajetória de vida, na qual ele conseguiu articular suas diversas atividades com as lutas democráticas e a busca de uma sociedade mais solidária. Assim, Paim contribuiu de forma significativa para a ideia, para o projeto, para o processo, e Jairnilson participou e participa ativamente do movimento da Reforma Sanitária. Foi também um dos fundadores do Campo da Saúde Coletiva, colaborando com a formulação das proposições que representaram uma ruptura com a Medicina Preventiva e com a Saúde Pública institucionalizada.

Coerente com esses propósitos, tomou como objetos de investigação os determinantes sociais da saúde e suas implicações para o planejamento, desenvolvendo o modelo da vigilância em saúde, ferramenta teórica capaz de orientar mudanças na organização das práticas de atenção à saúde. Suas investigações sobre a Reforma Sanitária têm subsidiado a formação de centenas de sujeitos críticos, para usar uma expressão que lhe é cara, que buscam construir um SUS democrático.

Mas, sobretudo, Jairnilson é uma das pessoas mais cuidadosas nas relações humanas que eu já conheci. Desde a preocupação em gravar o nome dos alunos, até a generosidade como liderança acadêmica, abrindo espaço para seus diversos colaboradores. Como liderança política da Saúde Coletiva é um dos responsáveis pela construção do consenso e da unidade que marcou a sua gestão à frente do Departamento de Medicina Preventiva e na coordenação do processo de criação do Instituto de Saúde Coletiva. Gentil, afetuoso e acolhedor, Jair é dessas pessoas que nos fazem crer que ainda há esperanças para a espécie humana. Há muitos anos atrás, ele concluiu uma palestra em um congresso médico social com um verso de Pablo Milanés que dizia assim: – “Não se pode apagar a luz de quem tem brilho próprio”. E eu gostaria de finalizar essa homenagem completando com o verso seguinte da mesma canção: “o seu brilho pode alcançar a escuridão de outras costas”, iluminando e mostrando caminhos.
Ligia Maria Vieira da Silva (Doutora em Medicina Preventiva e docente do ISC/UFBA)

 

Professor Jairnilson é sinônimo de humildade, generosidade, delicadeza, realismo e sinceridade. É aquele que utiliza poesia e música para falar sobre a vida, sobre a realidade concreta. Quando penso nessa relação que construímos ao longo desses anos, me deparo com os sentimentos de gratidão, amor e amizade. Quando eu conheci o professor, me encantei pela sua militância no Cebes. Naquele momento estava iniciando a graduação em Saúde Coletiva e tinha a oportunidade de encontrar diariamente as celebridades do campo, era sempre uma emoção. Pelo meu envolvimento na iniciação científica e posteriormente no Cebes, esses contatos se tornaram mais frequentes. Até que em 2013 começamos a trabalhar juntos, a trocar “figurinhas”, experiências e reflexões na perspectiva teórica e também sobre a vida.

Ao longo desses anos, ele foi/é o meu mestre, aquele que me ensina a ser uma pessoa e profissional melhor a cada dia, que se tornou também um amigo, confidente e que ama uma resenha, já que “perde o amigo, mas não perde a piada”. Sei que ele deve pensar que foi/é “apenas um professor na vida”, que espaços como o de hoje o deixam desconcertado, mas acho que devemos sim comemorar o grande mestre que ele é. Essa homenagem é só uma demonstração de gratidão pelo seu trabalho e por ter você em nossas vidas, querido professor. Mesmo sabendo que você foi/é apenas um mistério do planeta, como me disse certa vez: “andando por todos os cantos, e pela lei natural dos encontros, deixo e recebo um tanto” [Novos Baianos]. Que seu trabalho, sua militância e sua forma de fazer possam inspirar outros mestres da Saúde Coletiva. Gratidão, querido mestre!
Camila Reis (Doutoranda em Saúde Coletiva no ISC/UFBA)

 

Jairnilson Paim é um dos grandes sanitaristas brasileiros dos últimos 50 anos. Professor na Universidade Federal da Bahia, ele adquiriu notoriedade nacional e respeito dos demais colegas acadêmicos e dos serviços de saúde pelo importantíssimo papel que teve na formulação conceitual e de práticas do campo da Saúde Coletiva, em primeiro lugar.

Em segundo lugar, pela contribuição que ele deu à compreensão do Sistema Único de Saúde, seu planejamento, avaliação e todos os aspectos relativos à formulação de políticas de saúde no Brasil. Teve um papel fundamental na 8ª Conferência Nacional de Saúde, quando foi um dos conferencistas mais apreciados e que mais ideias inovadoras trouxe. Foi muito importante nas conferências municipais e estaduais que antecederam a 8ª Conferência. Foi extremamente importante nas discussões – já como membro da diretoria da Abrasco, comigo, inclusive, sendo secretário executivo – com membros do Congresso Nacional na formulação do conteúdo da nova Constituição Federal brasileira, que finalmente foi aprovada em 1988.

É professor, formou centenas de alunos na Bahia e fora da Bahia. Neste caso, fora da Bahia, com seus livros e seus artigos pertinentes e atualizados – fazia exaustivas revisões bibliográficas que eram verdadeiras bibliotecas que os alunos e leitores de seus artigos utilizavam. Praticamente como uma biblioteca pela característica impressionante, a meu ver, que Jairnilson tem de fazer bibliografias exaustivas e de altíssimo nível.

Além de tudo isso, é um grande amigo e merecedor do título tão importante de Professor Emérito que está recebendo da sua universidade do coração, a Universidade Federal da Bahia. Nela criou, junto com seus admiráveis colegas de departamento, o Instituto de Saúde Coletiva, uma das principais unidades acadêmicas das Américas não só no avanço do conhecimento nessa área tão original brasileira, que é a Saúde Coletiva, como também na formação de recursos humanos de alto nível.

E, finalmente, é um querido amigo que eu chamo de magrela – e não precisa explicar por que. Temos em comum a paixão pela Saúde Coletiva e a paixão por Caetano Veloso, embora muitas vezes juntos tenhamos criticado posições de Caetano.

Jairnilson, um abraço enorme e pode ter certeza que estarei, como nos shows de Caetano, no gargarejo, mas agora ouvindo um dos meus sanitaristas preferidos: Jairnilson Silva Paim. Grande abraço!
Paulo Buss (Doutor em Ciências e diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde (CRIS) da Fiocruz e do Centro Colaborador em Saúde Global e Cooperação Sul-Sul da OPAS/OMS)

 

Jairnilson, um exemplo de intelectual militante da justiça social

Jairnilson Silva Paim é um pensador original, um analista arguto e um hábil militante político. Com esse perfil, é um intelectual fundante do campo da Saúde Coletiva e um líder do movimento da Reforma Sanitária. A originalidade de seu pensamento está patente no livro “Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica” em que desenvolve a tese de que a Reforma Sanitária se constitui como uma reforma parcial (institucional e setorial), ainda que teorizada como revolução social e proposta como reforma geral. Aliando o ceticismo da razão ao otimismo da prática, Jairnilson escreve ainda que o processo da Reforma Sanitária continua em curso, podendo vir a atualizar-se como projeto de revolução do modo de vida. Se o livro supramencionado mostra a argúcia de sua análise, seus muitos outros trabalhos comprovam sua qualidade de analista arguto. Com efeito, são precisas e sofisticadas as análises que faz dos recursos humanos em saúde, da crise da saúde pública, dos desafios da Saúde Coletiva no século 21 e das possibilidades do SUS durante ou após a pandemia de Covid-19.

A sua habilidade política é amplamente reconhecida, destacando-se sua atuação no Cebes, mas sendo importante também suas contribuições à Abrasco e a diferentes movimentos sociais. A mim, pessoalmente, essa sua habilidade foi de grande valia, sobretudo, nas oportunidades em que ocupei posições de direção política. A todas essas qualidades, não posso deixar de acrescentar a postura sempre ética, evidente, por exemplo, na seriedade com que assume as responsabilidades de educador. Finalmente, gostaria de dizer que tê-lo tido como professor no curso de Medicina foi fundamental para minha opção pela Saúde Coletiva como área de atuação profissional e militância política. Aprendi e continuo a aprender muito com o professor Jairnilson Paim, a quem só posso agradecer e reverenciar.
Luis Eugenio de Souza (Doutor em Saúde Pública, vice-diretor da World Federation of Public Health Association (WFPHA) e docente e vice-diretor do ISC/UBA)

 

Conheci o Prof. Jairnilson Paim em 2002 como sua aluna de Políticas de Saúde, muito atenta ao ouvi-lo falar com entusiasmo sobre a Reforma Sanitária Brasileira. Nada poderia ser mais interessante que a luta genuína, empreendida por seu povo, pela democratização da sociedade brasileira e da saúde como direito. Esta grande inspiração, produzida por um Mestre de toda uma geração de sanitaristas, mudou a minha vida, orientando-me, decididamente, para a Saúde Coletiva.

Encontrar um professor que nos mobilize o desejo de saber e a vontade de agir é o elemento mais precioso para a edificação da vida acadêmica. Nele encontramos não apenas um exemplo de conduta no campo universitário, mas a partilha do seu amor pelo conhecimento, valores, atitudes e posição diante das lutas e enfrentamentos que a vida nos traz. A minha gratidão é imensa por todas as oportunidades de convívio, de aconselhamento, trocas acadêmicas e afetivas, em tantos momentos, desde então. Devo muito ao que me tornei por este encontro especial.

Em tempos obscuros como os atuais, encontrar a clareza de suas palavras, exame rigoroso, perspicaz e crítico da realidade, confirma a importância do investimento e da aposta que fazemos na Saúde Coletiva e, especialmente, na área de Políticas de Saúde. Palavras que carregam sempre um versinho ou uma letra de música e nos traz o alento de seguir. Sua liderança e dedicação ao fortalecimento da área de PPG destaca-se pela atuação fundamentada teoricamente, como intelectual crítico, engajado pelo compromisso social e político com o projeto civilizatório posto em prática pela RSB e a construção do SUS em nosso país.

Neste dia de hoje, com muita alegria, associo-me a seus alunos, colegas, amigos, familiares e a todos que lhe admiram para celebrar o merecido reconhecimento da nossa Universidade, conferindo-lhe o título de Professor Emérito.

Parabéns, querido Prof. Jair!
Monique Esperidião (Doutora em Saúde Coletiva e docente do ISC/UFBA)

 

Aos que conhecerão a extensa e profícua contribuição do Professor Jairnilson Paim à Saúde Coletiva.

No final de 1980, Jairnilson Paim e Ines Lessa me convidaram para ensinar “Bioestatística” no então Mestrado em Saúde Comunitária. Em seguida, foi Jairnilson quem me envolveu com a recém-criada Residência em Medicina Social. Isso antes mesmo que eu ingressasse na UFBA por concurso público em 1982. Assim, mover-se em busca de pessoas que pudesse agregar e fazê-lo com sucesso tem sido a razão porque Jairnilson sempre liderou um grupo diverso e produtivo de colegas, alunas e alunos para pesquisar, ensinar, debater e criar em Saúde Coletiva.

Desde então e até hoje no Instituto de Saúde Coletiva, o convívio continuado com Jairnilson tem sido de vívido aprendizado, tanto sobre os muitos elementos positivos da vida acadêmica quanto da prática da relação humana e, como tal, imersa em aproximações e distanciamentos. Dessa maneira, creio que posso dar um testemunho da sua contribuição para a Saúde Coletiva e para a Reforma Sanitária Brasileira, para fazer registro desse momento em que Jairnilson torna-se, com justiça, reconhecido como Professor Emérito.

E destaco entre muitas uma que considero mais representativa da sua contribuição e do seu legado. É sua tese de doutorado intitulada “Reforma sanitária brasileira: contribuição para a compreensão e crítica”, publicada em livro (EDUFBA; Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2008. 356 p.). Na apresentação, Jairnilson escreveu, com o toque da sua generosidade: “Para o leitor ainda não iniciado na ideia de democratização da saúde, nem na proposta da Reforma Sanitária, mas tendo ouvido falar de Sistema Único de Saúde (SUS) – ainda que mal, o livro apresenta certos antecedentes dessa reforma e analisa a conjuntura em que foi concebida. E para os leitores que participaram do movimento sanitário e até o presente investem o melhor de si na defesa e realização do direito à saúde para as cidadãs e cidadãos, brasileiras e brasileiros, o livro procura apresentar elementos que apontem certos impasses e possibilidades, apoiando-se em contribuições teóricas marxistas e numa análise crítica do desenvolvimento da sociedade e do Estado no Brasil”.

Raros serão os que abraçam um desafio tão grandioso e logram o mais amplo reconhecimento na comunidade universitária, entre os profissionais de serviços de saúde e entre os estudiosos do tema. Para quem a conheça, essa contribuição ajudará a entender e enfrentar as perplexidades do momento em que vivemos, como um documento vivo, que se reconstrói a cada leitura e a cada reflexão em torno da pergunta que o Autor faz: “Por que a Reforma Sanitária Brasileira não cumpriu o que prometeu?”.

Lembro agora que na sessão de defesa dessa tese, da qual tive a honra de participar como examinador, em 19 de setembro de 2007, escrevi ao final do meu parecer: “No ambiente acadêmico… se pode quem sabe lamentar que não tenhamos muito mais mentes livres ou que se permitam libertar em benefício da crítica pura ou engajada que possibilita criações genuínas. Aqueles que de estudiosos no início da carreira chegam a ser considerados destacados cientistas e logram se transformar ao longo do tempo em pensadores, libertando-se das amarras do “campo” de estudo e do domínio de métodos e técnicas, são os que produzem ideias, saltos qualitativos do conhecimento, essenciais para formar pessoas e inspirar transformações nos modos de viver a vida. Para mim como colega, o Autor sabe de solidariedade e afeto como um dos mentores intelectuais que é da epidemiologia da felicidade. O Professor Jairnilson Paim é um pensador”.
Eduardo Mota (Doutor em Medicina e docente do ISC/UFBA)

 

Acho um desafio falar do professor Jairnilson em 2000 caracteres. Para começar, gostaria de expressar minha sincera gratidão pela convivência, pelo compartilhamento infinito de saberes, pela oportunidade de tê-lo como professor, orientador, amigo e, mais recentemente, como colega de disciplina. Eu tive uma oportunidade que muitos gostariam de ter. Para mim, o professor Jair é um exemplo de conhecimento, de trajetória, de sabedoria e, principalmente, de humildade.

Acho que o professor Jairnilson é muito mais que uma referência teórica no campo da Saúde Coletiva, ele é uma referência de ser humano. Às vezes fico pensando, quando estou estudando para as nossas aulas, onde cabe tanto saber, e com uma simplicidade invejável. Julgo que somos privilegiados por tê-lo conosco esses anos todos e esse título é mais que merecido. Tem coisas e pessoas que marcam nossas vidas, aqueles que a qualquer tempo estaremos lembrando pelo efeito causado na vida profissional e pessoal.

Este é o professor Jairnilson, aquele que será impossível esquecer, mesmo quando ele resolver encerrar, de vez, suas atividades acadêmicas. Às vezes, ele vem dando pistas disso. Mas, é preciso registrar que isso será impossível. A sábia frase do primeiro dia de aula: “Vocês não sairão ingênuos dessa disciplina”. E, assim, vamos construindo o saber crítico, que deixa registro na vida de todos. Meu sentimento é de gratidão pela oportunidade que o ISC me deu de tê-lo na vida. Um abraço afetuoso pelo justo título.
Catharina Matos (Doutora em Saúde Coletiva e docente do ISC/UFBA)

 

Jairnilson é uma pessoa admirável no Brasil inteiro e também no mundo, por toda a sua trajetória de dignidade, por toda a sua trajetória corajosa, sempre trabalhando em defesa da democracia, dos direitos sociais, pontuando que a saúde é sempre, no seu entendimento, muito mais ampla do que uma questão setorial, inter-relacionada com a questão dos direitos sociais e da sociedade que queremos construir.

Jairnilson sempre foi, portanto, um pioneiro, um construtor também de entidades e instituições como o caso do próprio Cebes, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e do próprio Instituto de Saúde Coletiva – o primeiro a ter o nome de Saúde Coletiva no seu batizado, digamos assim.

Portanto, Jairnilson, estamos aqui alegres por essa merecidíssima outorga desse título de Professor Emérito que lhe digo, sinceramente, é um Professor Emérito também do Brasil.

Axé, Jairnilson! Grata por toda a sua trajetória de luta, por essa persistente participação no Cebes que nos orgulha imensamente. Parabéns, querido professor Jairnilson Paim!
Lúcia Souto (Presidente do Cebes – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde)

 

Querido Jai,

Muito mais que um Professor e Grande Colega-Amigo, você tem sido uma permanente fonte de inspiração e exemplo para nós duas. Seu brilhantismo e, especialmente, sua imensa capacidade para dominar profundamente os temas de seu interesse acadêmico/científico são características inatas, entre tantas outras. Sua criatividade e capacidade de ir além do campo científico, para propor caminhos, alternativas, novas estratégias e novos desafios voltados para a superação e/ou resolução de problemas relativos à Saúde Coletiva nos encanta.

É marcante seu compromisso e luta permanente para contribuir na promoção da melhoria das condições de vida e saúde da população. Não por acaso, toda nossa comunidade reconhece em você um dos grandes artífices do Projeto da Reforma Sanitária Brasileira e na contínua luta pelo desenvolvimento do SUS. Seu jeito sempre acolhedor, carinhoso, generoso, perspicaz e criativo nos revela o ser iluminado com quem temos a felicidade e o privilégio de conviver há mais de 40 anos. Te amamos e respeitamos muito!
Maria Glória Teixeira (Doutora em Saúde Pública e docente do ISC/UFBA) e Conceição Costa (Doutora em Saúde Pública e docente do ISC/UFBA)

 

Jairnilson é inspiração para muitos de nós, sanitaristas que vêm se dedicando à construção do SUS, seja na gestão, seja na produção de conhecimento. Professor, formador de pesquisadores, exemplo de interação respeitosa e rigorosa no processo de orientar seus alunos. Argúcia, precisão e afeto. À frente do OAPS, agregou muitos de nós, abrindo caminhos para o reforço ao trabalho colaborativo, essencial em nosso campo. Vida longa, querido mestre!
Ana Luiza Vilasbôas (Doutora em Saúde Coletiva e docente do ISC/UFBA)

 

Gostaria de parabenizar Jairnilson pelo título de Emérito, mais que merecido como reconhecimento de sua vasta e produtiva carreira acadêmica e pela extensa contribuição à UFBA, à Saúde Coletiva e ao movimento pela RSB. Meus parabéns!

Gostei muito do seu discurso, oportuno, coerente com sua forma de pensar e de agir durante todas estas décadas de trabalho, reflexão crítica e ação política em defesa da democracia.

Vida longa, a luta continua!

Carmen Teixeira (doutora em Saúde Pública e docente no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências – IHAC/UFBA e no ISC/UFBA)

 

Meu querido Professor,

Sua contribuição ao campo da Saúde Coletiva e à Educação na formação de sujeitos é largamente conhecida. Neste breve depoimento, gostaria de falar da impressão que deixou em mim. Você foi a primeira pessoa que encontrei quando cogitei fazer Medicina Social. Não me lembro exatamente das suas palavras, mas a minha memória afetiva recorda-se que, naquele momento, ficou selado o meu destino profissional. Você apaixona as pessoas porque é um apaixonado pelo que faz. Por onde você anda, sua caminhada deixa marcas, não apenas pela sua inteligência, conhecimento, astúcia e uma didática própria, que nos faz aprender com leveza e alegria, mas pela sutil capacidade de compreender os limites de cada um e extrair o melhor que cada um é capaz de oferecer. Por isso, sinto-me agraciada de ter tido a oportunidade de ser sua aluna (rebelde, que se recusou a prestar exame de prova escrita na Residência – quantos risos isso me causou tempos depois), sua colega de trabalho, na vida cotidiana do ISC, e sua colaboradora e cúmplice no projeto do OAPS.

Parabéns por mais esse título, meu querido Professor Emérito.

Maria Guadalupe Medina (Doutora em Saúde Pública e pesquisadora no ISC/UFBA)

 

Antes de encerrar essa homenagem, aproveitamos o espaço para também registrar nossa admiração, carinho e respeito pelo professor Jairnilson, que além de orientador e mestre, é também nosso editor e amigo. Apesar de sabermos que ele não gosta muito da ideia de ser pauta aqui, no seu querido OAPS, é importante para nós destacar o quanto ele nos inspira, ensina, guia e enche nosso dia a dia de sabedoria, criatividade, bom humor e resenhas… um resultado do respeito, atenção e cuidado carinhoso que permeiam as interações do professor, um exemplo de atuação comprometida com a defesa dos direitos sociais, cercada de leveza e amor. Nos juntamos ao coro: Viva a Jairnilson Paim!





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