Os custos importam: Estudo do Ipea aponta necessidade de uma política de produção e uso da informação de custos no SUS
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 27 de julho de 2017
Atualizado em: 1 de janeiro de 2022
A quem interessa o desconhecimento sobre os custos em saúde? Este é um dos questionamentos do estudo “Produção de Informação de Custos para a Tomada de Decisão do Sistema Único de Saúde: Uma Questão para a Política Pública”, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e assinado por Fabiola Sulpino Vieira, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea. O trabalho discute a relevância da produção e o uso da informação de custos do SUS como insumo para os processos decisórios sobre gestão e financiamento. Apresenta ainda experiências nacionais e internacionais para ilustrar possíveis direções para o contexto brasileiro, além de recomendações e reflexões iniciais para a formulação de uma política nacional sobre o tema.
No texto, Fabiola alerta que sem informações adequadas para orientar as tomadas de decisão não é possível apresentar respostas adequadas a questões fundamentais para a sustentabilidade e eficiência do SUS, como por exemplo, o aporte necessário de recursos para garantir a universalidade, a integralidade e a igualdade de acesso a bens e serviços de saúde com qualidade. “Algo que parece bastante claro é a inadmissibilidade de que um sistema de saúde do tamanho do SUS continue tendo os seus recursos alocados praticamente sem informações sistematizadas dos custos dos bens e serviços oferecidos à população”, diz o documento.
O estudo destaca ainda a necessidade de tratar a produção e o uso da informação de custos como um problema de política pública: “Não se pode mais adiar esta discussão, sob pena de que permaneçam as tentativas de defender o indefensável, por exemplo, o fato de os recursos que financiam a saúde serem gastos de qualquer forma, sem considerar seus custos, somente porque são para a saúde, mesmo que esses gastos privilegiem grupos de interesse específicos em detrimento da população, e se sacrifiquem outros serviços que deixarão de ser oferecidos ou serão oferecidos insatisfatoriamente. Os custos importam; afinal, os direitos têm custos”.
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