Observatórios de saúde são tema de Workshop na 21a Conferência Mundial WONCA de Médicos de Família

Autor: Marcele Paim
Publicado em: 22 de novembro de 2016
Atualizado em: 5 de janeiro de 2022

“Observatórios de saúde em um contexto global: cuidados primários, promoção da saúde e vigilância” foi o tema de workshop realizado no dia 04 de novembro de 2016, durante a 21a Conferência Mundial WONCA de Médicos de Família, que aconteceu de 02 a 06 de novembro, na cidade do Rio de Janeiro.

As experiências do Observatório de Asturias (Espanha) e da Rede RIO de Estações do Observatório das Tecnologias de Informação e Comunicação em Serviços e Sistemas de Saúde – OTICS-RIO foram apresentadas por Rafael Cofiño Fernández e Luiz Felipe da Silva Pinto (UFRJ), respectivamente. A exposição contou ainda com a palestra de Felix Hector Rigoli, que fez um resgate histórico sobre a criação da Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde – ROREHS, lançada em 1999, a partir de uma articulação promovida pela Organização Panamericana de Saúde – OPAS.

Criado para organizar as informações de saúde nas Asturias, articulando-as ao desenvolvimento de estratégias de saúde para orientar a ação comunitária por diferentes profissionais, agências e instituições, o Observatório de Asturias é ancorado em um modelo teórico de determinantes de saúde e resultados, desenvolvido conjuntamente com o Instituto de Saúde Populacional da Universidade de Wisconsin (EUA). As informações são apresentadas através de dois conjuntos de indicadores ou “fotografias de saúde da comunidade”, com objetivo de fornecer uma visão geral da situação de saúde da população asturiana a partir da perspectiva de renda e determinantes sociais.

Fernández reforçou a qualidade de informação para a tomada de decisões, bem como a importância da participação de diversos atores. “Conhecer os principais problemas de saúde da comunidade, quais as principais ações, quais são as principais riquezas/pontos fortes, para pensar o que podemos fazer juntos. É preciso buscar ativos de saúde e vincular informação à ação para melhorar a saúde”, afirmou o palestrante.

Apresentando o trabalho de planejamento realizado na Rede de Estação Observatório SMS/RJ para 160 bairros do Rio de Janeiro, Silva Pinto mostrou produtos do observatório como vídeos, criação do guia SUS, caderno de estatísticas, mapas da atenção primária e concurso de blogs das unidades de saúde. Ele apontou para a importância do diálogo entre a vigilância, promoção da saúde e atenção primária. “É importante agregar a participação para disponibilizar informação”, constatou o coordenador, para quem o uso das mídias sociais de forma atuante colabora para uma melhor comunicação com o usuário.

A partir da sua experiência na OPAS com a ROREHS, Rigoli explorou alguns aspectos conceituais dos observatórios e defendeu a potência de juntar informação e participação, na medida em que a participação de diferentes atores pode também tornar a ferramenta mais sustentável. Para o pesquisador, “Todos os mecanismos que criam formas de interação são potencialmente revolucionários”. Rigoli também alertou para a preocupação com o termo ser usado em excesso e de forma banal na atualidade.

Na ocasião, a professora Cristianne Maria Famer Rocha (UFRGS), pesquisadora do OAPS e uma das organizadoras do Workshop, mencionou a experiência do trabalho em rede desenvolvido pelo Observatório de Análise Política em Saúde que “nesse 1 ano de existência vem se consolidando como um espaço de reflexão crítica na saúde coletiva, a partir de um trabalho colaborativo entre diversas instituições acadêmicas e envolvimento de professores, pessquisadores e estudantes”.

Questões como a produção e disseminação de informações; criação de perfis e indicadores; intervenção sobre a realidade e formas de articular informação e participação de diversos atores como práticas de cidadania deram o tom ao debate.

Saiba mais:
Observatório da Saúde em Asturias
Rede OTICS-RIO





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