ObservaCovid: fake news, vacinação e diferentes respostas dos países à pandemia marcam boletins de 2021
Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 20 de janeiro de 2022
Atualizado em: 20 de janeiro de 2022
O acompanhamento da pandemia em diferentes países, os desafios e entraves da vacinação, a disseminação de fake news e as experiências dos/as trabalhadores/as em saúde na linha de frente foram alguns dos temas colocados em debate pelos boletins do projeto “Análise de Modelos e Estratégias de Vigilância em Saúde da Pandemia de Covid-19 (2020-2022)” durante o ano de 2021. Também conhecida como ObservaCovid, a iniciativa é desenvolvida por uma ampla rede de pesquisadores/as que se debruçam sobre estratégias de enfrentamento da Covid-19 em diversos países e pesquisas que recortam aspectos específicos da problemática gerada pela pandemia no Brasil.
O primeiro boletim do ano colocou em pauta os impactos e desafios para a Vigilância Sanitária diante da pandemia de Covid-19 no Brasil. A publicação apontou como a diversidade e a quantidade de demandas evidenciaram as especificidades e a complexidade do trabalho da Vigilância, que passou a ser depositária de expectativas de respostas às dúvidas e incertezas frente aos riscos da pandemia, o que incluiu a necessidade de organização rápida de seus serviços para suprir a necessidade de fiscalização de uma infinidade de objetos.
A edição seguinte, divulgada no mês de março, teve como foco a reorganização da Atenção Primária à Saúde (APS) no contexto da pandemia. A publicação apresenta um modelo de reorganização pensado para apoiar a gestão da APS nessa conjuntura, ressaltando como o modelo, com forte base comunitária e territorial, poderia fazer a diferença no enfrentamento à Covid. Nesse sentido, também indica as principais ações recomendadas aos gestores e gestoras do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Atenção Hospitalar na Pandemia” foi o assunto do boletim do mês de abril, voltado para a análise do Plano de Contingência Nacional, de 28 planos estaduais e outros 20 municipais, segundo recomendações específicas da Organização Mundial da Saúde (OMS). O informativo discutiu até que ponto as propostas relativas à Atenção Hospitalar para lidar com a Covid-19 foram adequadas e suficientes na primeira onda da pandemia no Brasil e, ainda, se o colapso poderia ter sido evitado.
A disseminação de fake news na pandemia foi o tema central da edição de maio do boletim, que trouxe uma síntese da investigação sobre as respostas governamentais para esse fenômeno. A publicação destaca conceitos que estão sendo construídos e debatidos na literatura internacional; respostas de países da Ásia, Europa e América Latina, incluindo o Brasil, à crise de desinformação; e recomendações a gestores e autoridades sanitárias.
“Trabalhadores de Saúde no Enfrentamento da Covid-19” foi o tema da 8ª edição que, a partir da revisão de um conjunto de artigos científicos, evidenciou as principais questões vivenciadas pelos/as trabalhadores/as do setor, com efeitos em sua própria saúde. Nesse sentido, receberam atenção os problemas decorrentes da contaminação no ambiente de trabalho e os problemas de saúde mental relacionados às condições de atuação, medo de contágio e contaminação de familiares e amigos, ansiedade, distúrbios de sono e depressão.
A edição do mês de julho foi especial por divulgar experiências e resultados do estudo em seu primeiro ano de atuação, entre eles a produção de recomendações baseadas em revisões de literatura internacional acerca dos diversos aspectos da vigilância em saúde da Covid-19, a elaboração de artigos com resultados parciais dos sete subprojetos em execução, a produção de material de apoio a ações de vigilância em saúde, a formação de pessoal, a realização de eventos e, ainda, a divulgação de boletins periódicos sobre o desenvolvimento do estudo e seus produtos.
Publicado no mês de agosto, o boletim “Situação da pandemia de Covid-19 e da vacinação no Brasil e no mundo” traz duas entrevistas especiais para debater os vários aspectos da pandemia, os avanços alcançados e os problemas persistentes: Jarbas Barbosa, médico sanitarista e vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e Carla Domingues, epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Os entrevistados oferecem um panorama realista da pandemia e apontam desafios na produção de conhecimentos e, especialmente, no aperfeiçoamento necessário das estratégias de controle.
A 11ª edição do boletim do ObservaCovid reuniu resultados preliminares de uma revisão sobre a evolução da pandemia de Covid-19 em diferentes países – Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá, Cuba, Uruguai e Portugal – com o objetivo de comparar as experiências e identificar estratégias exitosas no enfrentamento à Covid-19. Com esse propósito, o informativo se debruçou sobre as respostas à primeira e segunda ondas da pandemia, sublinhando êxitos e insucessos nas estratégias e intervenções dos governos.
Com o tema “Experiência de Trabalhadores/as de Saúde da Atenção Primária e da Atenção Hospitalar em Salvador na Pandemia de Covid-19”, o informativo publicado no mês de outubro discutiu questões como as práticas de proteção assumidas pelos/as trabalhadores/as em saúde para lidar com os processos de vulnerabilização promovidos e/ou intensificados pela Covid-19 e como essas práticas se relacionam com as transformações do trabalho em saúde ocorridas ao longo da pandemia.
Por fim, a última edição de 2021 apresentou um panorama com características sociodemográficas e o perfil clínico de pacientes de Covid-19 internados no Instituto Couto Maia (ICOM), centro de referência de atendimento a casos de doenças infecciosas na Bahia. Entre as informações em destaque no boletim estão as análises preliminares de dados relativos a indicadores hospitalares, tempo médio de permanência dos pacientes e taxa de letalidade.
Clique aqui para ler e baixar os boletins do ObservaCovid.
O projeto ObservaCovid conta com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Ministério da Saúde (MS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (Decit/SCTIE).
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