No enfrentamento ao coronavírus, entidades se unem em notas, manifestos e orientações à população
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 3 de abril de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
Entidades representativas de diversos setores da sociedade brasileira têm divulgado informações e orientações à população para o enfrentamento da pandemia de coronavírus. São notas, manifestos e ofícios com recomendações, críticas à condução da Presidência da República e combate à desinformação.
Em nota conjunta, seis entidades – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Comissão Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – pediram que a população respeite as recomendações da ciência, de profissionais da saúde e da experiência internacional sobre a crise de coronavírus: “A campanha de desinformação desenvolvida pelo Presidente da República, conclamando a população a ir para a rua, é uma grave ameaça à saúde de todos os brasileiros. A hora é de enfrentamento desta pandemia com lucidez, responsabilidade e solidariedade. Não deixemos que nos roubem a esperança”. (Leia: Em defesa da vida)
A Confederação Nacional de Municípios enviou ofício ao presidente Jair Bolsonaro no qual pede ao presidente “um discurso coerente com a prática política que está sendo adotada pelo seu próprio governo na execução de ações econômicas e profiláticas”, além de cinco medidas, entre elas: “A suspensão de gravações distribuídas nas redes sociais com ameaças aos gestores e suas práticas, como a de que os chefes dos executivos é que arcarão com o ressarcimento de eventuais perdas das empresas […], a não reprodução de informações falsas como as de que governantes estão reabrindo escolas e mandando reabrir todo o comércio, pois apenas produzem confusão social e intranquilidade entre os trabalhadores; o não estímulo à manifestações conclamadas por seus seguidores que, de forma irresponsável, colocam em risco a vida dos próprios manifestantes e da população em geral”. (Leia: Medidas de isolamento social nos municípios)
Por meio de nota à imprensa, a congregação da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) explica por que o isolamento exclusivo de pessoas em maior risco não é uma medida viável, a importância do reforço da capacidade do SUS e da adoção de medidas de proteção social: “Não há contradição entre proteção da economia e proteção da saúde pública. A recessão econômica decorrente da pandemia será global e já é inevitável. Medidas de proteção social, especialmente o provimento de renda mínima para trabalhadores informais e complemento de renda para populações vulneráveis, a exemplo do que outros países estão fazendo, devem ser adotadas imediatamente. Esta proteção econômica é um dever do Estado”. (Leia: Nota à Imprensa da Congregação da Faculdade de Saúde Pública da USP sobre a evolução da pandemia de Covid-19 no Brasil)
A carta do Departamento de Medicina Preventiva/Faculdade de Medicina da USP (DMP-FMUSP) demonstra preocupação com a “falta de sincronia” entre dirigentes da nação diante da gravidade do cenário nacional e mundial: “Desde o início, a equipe do Ministério da Saúde pautou suas ações pelo que determina a ciência e pelo conhecimento já acumulado na resposta mundial à pandemia. Não é hora de mudar esta atitude. Além de negar a necessidade do distanciamento social, o Presidente tem atribuído, de forma irresponsável, equivocada relevância a um suposto tratamento com base na cloroquina, tratamento sem comprovação de eficácia robusta até o presente momento”. (Leia: Em Defesa do distanciamento social e de uma ação do Ministério da Saúde pautada na Ciência para o combate à pandemia da Covid-19)
Em manifesto, a Academia de Ciências da Bahia cobrou do governo a garantia dos meios para minimizar os efeitos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e da sobrevivência das famílias, mitigando os impactos sociais da pandemia: “Estamos enfrentando muita desinformação, inclusive contestando o conhecimento científico internacionalmente consolidado sobre a COVID-19. Nesse sentido, destacamos e reforçamos as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para restringir o convívio social, ampliar o distanciamento físico e recolher-se nas residências”. (Leia: Manifesto da Ciência em Defesa da Vida)
Mais recentemente, presidentes da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) e Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) enviaram ofício ao Ministério da Saúde com alerta para o risco de disseminação da Covid-19 nas unidades básicas de saúde: “A experiência de outros países têm mostrado que minimizar o contato presencial entre profissionais de saúde e usuários com síndrome respiratória aguda, bem como evitar aglomeração de pessoas nestas unidades, é crucial para impedir a propagação do vírus, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde sobre a organização da atenção à COVID-19” (Leia: Sugestões para o Manual de Manejo Clínico da COVID-19)
Confira outras notas:
– Pacto pela vida e pelo Brasil – Dia Mundial da Saúde
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