Mulheres estão mais vulneráveis para depressão, estresse e ansiedade na pandemia, aponta pesquisa ELSA-Brasil
Autor: Egberto Siqueira/ISC/UFBA
Publicado em: 7 de outubro de 2021
Atualizado em: 5 de janeiro de 2022
O Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), que há mais de uma década acompanha a saúde de 15 mil servidores brasileiros, publicou os primeiros resultados de uma ampla pesquisa que avalia o impacto da Covid-19 sobre a vida dos participantes. Segundo o levantamento, a pandemia repercutiu significativamente na saúde mental dos servidores, sobretudo entre as mulheres. Durante o distanciamento social, 24% delas apresentaram sintomas de depressão, 20% enfrentaram ansiedade e 17% alegaram estresse.
O estudo também aponta que o número de mulheres que se sentiram isoladas na pandemia foi 25% maior em relação aos homens. De forma geral, 14% dos entrevistados, independente do gênero, avaliaram a própria saúde mental como regular a muito ruim no período. Entre os homens, 17% tiveram depressão, 11% ansiedade e 10% apresentaram sintomas de estresse no decorrer da pandemia.
No total, o estudo ouviu 5.639 participantes distribuídos em cinco centros de investigação do ELSA-Brasil. Além da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foram consultados servidores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Fiocruz-RJ. Cerca de 58% dos respondentes eram mulheres, com mais de 55 anos (67%) e pessoas casadas ou vivendo em união estável (61%).
As entrevistas realizadas têm foco no comportamento dos participantes desde o início da pandemia, como hábitos alimentares, práticas de atividades físicas, além da investigação dos níveis de exposição à Covid-19. O objetivo é comparar aspectos da saúde dos servidores antes, durante e após a pandemia de Covid-19.
Isolamento social
Segundo o levantamento, 67% dos servidores aderiram totalmente ao distanciamento social no primeiro contato de entrevistas. No segundo contato, a adesão reduziu para 59%, enquanto a adesão parcial subiu de 16% para 34%. O intervalo entre as entrevistas variou de 1 a 4 meses, de acordo com a disponibilidade dos respondentes. Em todas as categorias avaliadas, as mulheres adotaram as medidas em maior proporção do que os homens.
O estudo destaca ainda a relação entre a adesão às medidas de distanciamento social e a idade dos servidores. Quanto maior a idade, maior o cumprimento do isolamento. Já as medidas sanitárias de proteção, como uso de máscara ao sair de casa e a lavagem frequente das mãos com água e sabão, foram adotadas por mais de 90% dos servidores.
Acesso à saúde e impacto econômico
Entre aqueles que realizaram algum exame para diagnóstico de Covid-19, 26% testaram positivo para a doença. Cerca de 1/3 dos participantes da pesquisa também alegaram problemas para acesso aos serviços de saúde de forma geral, como dificuldade para aquisição de medicamentos, realização de exames ou mesmo para conseguir vaga de internação. Do total de servidores entrevistados, 15% encontraram dificuldades em conseguir atendimento médico.
O estudo ainda avaliou o impacto econômico da Covid-19 nas famílias dos servidores. Cerca de 55% dos participantes afirmam que foram afetados ou tiveram familiares afetados economicamente. Outros 39% ajudaram financeiramente algum membro da família e 61% consideraram que as despesas semanais domésticas aumentaram no período da pandemia.
Clique aqui e leia a matéria na íntegra no site do ISC/UFBA.
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