Marcha em defesa do SUS marca início da 15ª CNS

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 1 de dezembro de 2015
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Manifestações em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) marcaram o primeiro dia da 15ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), que acontece entre os dias 1º e 4 de dezembro, em Brasília. Movimentos sociais, gestores, profissionais de saúde, estudantes e militantes de vários estados do país se reuniram por volta das 14h na Catedral de Brasília para dar início à “Marcha em Defesa do SUS”. As reivindicações incluíram pautas como rejeição aos cortes no financiamento da saúde e direcionamento de 117 bilhões para o setor em 2016, respostas urgentes à tragédia em Mariana (MG) e seus impactos socioambientais, combate ao uso de agrotóxicos, regularização da jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem, auditoria da dívida pública e reestatização da Vale. Sob forte sol e embalados por música e gritos de guerra, o grupo seguiu em caminhada até o Congresso Nacional, local onde ocorreu o “Ato em Defesa do SUS”. A atividade precedeu a cerimônia oficial de abertura da 15º CNS, realizada no mesmo dia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Ao longo do percurso, a marcha ocupou as faixas à direita da pista e não interrompeu o trânsito. Segundo os organizadores, a manifestação reuniu entre 10 e 15 mil pessoas. A primeira parada ocorreu no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, onde os manifestantes protestaram contra o uso de agrotóxicos – o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo – e pediram a saída da ministra Kátia Abreu com vaias e gritos de "Fora Kátia". A segunda parada da Marcha, no Ministério da Saúde (MS), foi marcada por discursos de coletivos de trabalhadores e trabalhadoras do MS, que pediram uma profunda transformação na lógica de financiamento do SUS e a democratização das relações de cuidado.

Ao longo de toda a manifestação, representantes de diversos movimentos sociais e políticos se revezaram ao microfone, entre eles movimentos negro, feminista, antimanicomial e LGBT brasileiro, além de grupos latino-americanos de países como El Salvador, Argentina e Colômbia. Temas como saúde da população negra, respeito à população LGBT e direitos das mulheres foram enfatizados.

"A gente quer reconhecer o esforço de todos os segmentos e grupos que organizaram e construíram essa grande marcha como uma forma de abertura da 15ª CNS", declarou Maria do Socorro de Souza, presidenta do Conselho Nacional de Saúde. Os discursos destacaram também o Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro) e o papel do SUS na garantia de cobertura integral do tratamento para os portadores do vírus HIV.

Deputados e representantes de partidos políticos discursaram nos trios elétricos sobre compromisso com a saúde pública e valorização da participação social em defesa do SUS. Entre eles estavam Luís Odorico (PT-Ceará), Jorge Solla (PT-BA), Luciana Santos (presidenta do PCdoB), Adelmo Leão (MG) e Jandira Feghali (PCdoB-Rio de Janeiro), que afirmou: "Cada centavo retirado do Sistema Único de Saúde significa uma morte na ponta do sistema […] A saúde não pode ir até onde vai o bolso da pessoa”.

Durante o ato, os manifestantes se dispuseram em forma de cruz no gramado em frente ao Congresso como protesto às diversas inciativas do Legislativo de ataque ao SUS, como a PEC 451 que obriga os empregadores brasileiros a garantir assistência privada de saúde aos trabalhadores, a entrada de capital estrangeiro na saúde permitida pela lei nº 13.097/2015 e os cortes de orçamento para a saúde.

No final da marcha, que se estendeu até o Teatro Nacional Cláudio Santoro, um grupo derramou lama pelas ruas em protesto pela tragédia em Mariana. "Ano que vem não vamos aceitar nenhum centavo a menos” e “Se quer fazer ajuste fiscal, vá tirar dos juros e não das políticas sociais” foram algumas das palavras de ordem cantadas ao longo do percurso.

Clique aqui e confira fotos da marcha em nossa página no Facebook.





Deixe um comentário







Instituto de Saúde Coletiva • Universidade Federal da Bahia • Rua Basílio da Gama, s/n • Campus Universitário do Canela • 40.110-040 • Salvador-Bahia • +55 71 3283-7441 / 3283-7468

© 2024 Observatório de Análise Política em Saúde. Todos os direitos reservados.