Mais Médicos na Mira de Trump
Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 11 de setembro de 2025
Atualizado em: 24 de novembro de 2025
A edição nº 60 do boletim do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) tem como tema os ataques do governo de Donald Trump ao Programa Mais Médicos (PMM). Com a justificativa de promover a responsabilização pela “exportação de trabalho forçado do regime cubano”, o governo norte-americano revogou vistos de gestores envolvidos com a criação e implantação do PMM e seus familiares, além de ter incluído a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em cortes orçamentários.
O PMM, lançado em 2013, se tornou um dos alvos em meio a outras medidas impostas pelo governo Trump ao Brasil neste segundo semestre. Os vistos de dois brasileiros que participaram da criação do programa foram revogados no último mês de agosto com a finalidade de enviar “uma mensagem inequívoca de que os Estados Unidos promovem a responsabilização daqueles que permitem o esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”, segundo comunicado do Departamento de Estado do país.
O médico Mozart Julio Tabosa Sales, atualmente secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde (MS), e o advogado Alberto Kleiman, que é coordenador-geral para a COP30, atuaram na criação e implantação do Mais Médicos. Dois dias depois, a filha e a esposa do atual titular da Saúde, Alexandre Padilha, também tiveram os vistos cancelados. O ministro Padilha, que esteve à frente da pasta também entre 2011 e 2014, está com o seu visto vencido desde 2024. Funcionários de países africanos, de Granada e de Cuba, bem como seus familiares, também tiveram os vistos cancelados pelo governo norte-americano.
Neste mês de setembro, uma nova investida baseada no suposto envolvimento com trabalho forçado e tráfico de médicos cubanos no Programa Mais Médicos atingiu a OPAS. O órgão, braço americano da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi incluído em um pacote de rescisão de verbas pelo governo estadunidense. A medida cancela cerca de US$ 4,9 bilhões de ajuda internacional extra dos EUA que já estava alocada pelo Congresso americano em seu último projeto de lei de financiamento. Os EUA são o maior doador da OPAS.
Clique aqui e confira a edição nº 60 do Boletim do Oaps.
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