Livre mercado? Pesquisador explica oligopólio e acúmulo de poder na saúde privada
Autor: Inês Costal
Publicado em: 15 de fevereiro de 2024
Atualizado em: 15 de fevereiro de 2024
“Não existe livre mercado e livre iniciativa. Não existe a menor condição de se competir em pé de igualdade diante do poder político, não só econômico, que esses grupos têm”. Em entrevista ao editor Antonio Martins e ao jornalista Gabriel Brito do Outra Saúde, o pesquisador Eduardo Rodrigues (PUC-SP) apresentou um panorama dos grupos privados que dominam o setor de saúde no país, expondo o controle de mercado, com pouca regulação, que marca a atuação desses grupos.
O economista aponta a presença de grandes grupos do setor privado de saúde no que chama de “super elite da economia nacional”. Dentre as 16 principais holdings – empresas que detém ativos de outras empresas e negócios – da área da saúde privada no Brasil, cinco fazem parte de um grupo de empresas de diferentes setores que controla 25% da economia corporativa nacional: Rede D’Or, DASA, Eurofarma, Notre Dame e Amil.
A concentração de produtos e serviços de saúde em um pequeno grupo de empresas impõe obstáculos ao Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, em negociações para a compra de medicamentos: “Na distribuição de farmácia existe um pequeno clube que não tem a menor dificuldade de combinar todas as estratégias, todos os preços”.
Autor do artigo “Quem está no comando? Poder entre grupos econômicos hegemônicos no Brasil”, em sua análise Rodrigues destaca a influência das corporações no cenário de concentração exposto em sua pesquisa: “Quem tem muito poder econômico tem também muito poder político, tem poder sobre o governo, não só para vender em licitações, serviços, remédios, mas tem o poder político porque com certeza esses grupos desenvolvem um lobby muito forte em Brasília, entre os congressistas”.
Assista ao vídeo da entrevista:
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