“Inimigo declarado do SUS”. Bresser-Pereira critica declarações de ministro da Saúde

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 21 de novembro de 2016
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Em resposta a recentes declarações do ministro da Saúde, Ricardo Barros, em entrevista à BBC Brasil, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, que foi ministro nos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, publicou um texto chamando o titular da pasta da Saúde de “inimigo do SUS”. Na entrevista, Ricardo Barros afirmou que quem defende o SUS mais universal “não são técnicos, nem especialistas, são ideólogos que tratam o assunto como se não existisse o limite orçamentário, como se fosse só o sonho” [no mesmo dia da publicação da entrevista, o Ministério divulgou nota à imprensa afirmando que o ministro “não afirmou que ‘saúde para todos é ‘sonho’”].

 

Em texto publicado em sua página no Facebook, Bresser-Pereira afirmou que o SUS é a maior realização da democracia brasileira e que “atacá-lo, como faz o ministro Ricardo Barros, é tentar realizar o objetivo doentio da direita neoliberal brasileira: desmontar o Estado Social que o Brasil construiu desde a Constituição de 1988”.

Leia na íntegra:

O inimigo do SUS

O sr. Ricardo Barros, Ministro da Saúde, é um inimigo declarado do SUS. Em entrevista à BBC Brasil ele afirmou que pesquisadores que defendem um sistema universal de saúde – ou seja, que atenda todos os segmentos da população – “não são técnicos, nem especialistas, são ideólogos que tratam o assunto como se não existisse o limite orçamentário, como se fosse só o sonho”. Pouco lhe importa que o direito universal à saúde esteja na Constituição. A Constituição, ora a Constituição… E se não consegue mudar a Constituição nesse ponto, não hesita a dar todo apoio à Emenda 241, que, afirma contra toda evidência: “Não tem redução de recursos de saúde com a PEC. Isso não existe, outras despesas poderão ser reduzidas”. Quais? As despesas com educação? Ou que sabe o deputado vai propor uma emenda à emenda, incluindo o gasto com juros, para que estes, depois, possam ser cortados?

Ao invés ele informa que tem uma solução para a falta de recursos. O ministério elabora uma proposta de “planos de saúde acessíveis”, com cobertura de atendimento reduzida, para o público de menor renda. Ora, já existem muitos planos de saúde “populares” empenhados em enganar aqueles que os subscrevem. Planos de saúde podem ser bons para os ricos; para no máximo 15% da população. Os demais contam com o SUS, que é a maior realização da democracia brasileira. Atacá-lo, como faz o ministro Ricardo Barros, é tentar realizar o objetivo doentio da direita neoliberal brasileira: desmontar o Estado Social que o Brasil construiu desde a Constituição de 1988.





Deixe um comentário







Instituto de Saúde Coletiva • Universidade Federal da Bahia • Rua Basílio da Gama, s/n • Campus Universitário do Canela • 40.110-040 • Salvador-Bahia • +55 71 3283-7441 / 3283-7468

© 2024 Observatório de Análise Política em Saúde. Todos os direitos reservados.