Impacto da pandemia sobre a saúde mental de crianças e adolescentes poderá ser sentido por muitos anos, alerta relatório do Unicef

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 11 de outubro de 2021
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

O principal relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) destaca a dimensão do impacto da pandemia de Covid-19 sobre a saúde mental e o bem-estar de crianças, adolescentes e jovens. Para a entidade, os investimentos dos governos estão distantes da necessidade de cuidado voltado para esse público e a relevância da relação entre a saúde mental e os resultados futuros na vida não está sendo considerada.

 

O documento The State of the World’s Children 2021; On My Mind: promoting, protecting and caring for children’s mental health (Situação Mundial da Infância 2021: Na minha mente: promovendo, protegendo e cuidando da saúde mental das crianças) traz resultados preliminares de uma pesquisa em 21 países que mostra que um a cada cinco adolescentes e jovens de 15 a 24 anos entrevistados (19%) afirma se sentir deprimido ou tem pouco interesse em fazer coisas na pandemia. No Brasil, o percentual entre adolescentes e jovens da mesma faixa etária foi de 22%. A pesquisa deve ser divulgada em novembro.

 

O panorama anterior à pandemia mostra pouca ação e recursos para à área da saúde mental voltada a essa parcela da população. Dados da Estimativas Globais de Saúde 2019, da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostra o cálculo de que um em cada sete meninos e meninas com idade entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental diagnosticado e quase 46 mil adolescentes morrem por suicídio a cada ano. O mesmo levantamento aponta que os governos investem apenas cerca de 2% dos seus orçamentos de saúde com gastos com saúde mental em todo o mundo.

 

Os transtornos mentais afetam ainda a educação e a capacidade financeira de crianças, adolescentes e jovens no futuro, com o impacto da redução de contribuições para as economias estimado em cerca de US$ 390 bilhões por ano, segundo análise da London School of Economics, contemplada no relatório do Unicef.

 

Para Monique Esperidião (ISC/UFBA), pesquisadora do OAPS e coordenadora do eixo “Análise de Políticas de Saúde Voltadas para a Infância”, é preciso mais investigações e produção de evidências sobre a situação das crianças na pandemia (confira a entrevista). O boletim do Oaps “Pandemia de Covid-19 e Infância” traz a discussão sobre as repercussões na saúde das crianças em meio ao cenário de retorno das aulas presenciais e uma revisão que destaca dificuldades de concentração, irritabilidade, medo, inquietação, tédio, sensação de solidão, alterações no padrão de sono e alterações na alimentação entre as reações emocionais e alterações comportamentais frequentemente apresentadas pelas crianças durante a pandemia. Clique aqui e acesse o boletim nº 36.

 

O relatório do Unicef aponta medidas como o investimento em serviços públicos de qualidade, com integração e ampliação de intervenções baseadas em evidências nos setores de saúde, educação e proteção social; a preparação de pais, familiares, cuidadores e educadores para abordar o tema da saúde mental como parte da saúde integral; a quebra do silêncio em torno da saúde mental, com fomento à cultura da escuta sem julgamentos; e a valorização da rede de apoio entre pares, promovendo e valorizando o diálogo entre os próprios adolescentes sobre saúde mental. Confira mais informações sobre o relatório.

 

Clique aqui e acesse a publicação do Unicef na íntegra – disponível em inglês.

 





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