Esgotadas: Qual o impacto da pandemia na saúde mental das mulheres?

Autor: Patrícia Conceição
Publicado em: 14 de setembro de 2023
Atualizado em: 14 de setembro de 2023

A pandemia de Covid-19 teve um grande impacto na saúde mental das mulheres no Brasil: elas chegaram sobrecarregadas em 2020 e continuam sobrecarregadas em 2023. Este é o cenário revelado por uma pesquisa inédita, realizada com mais de mil mulheres entre 18 e 65 anos, que aponta que quase metade delas (45%) possui algum tipo de transtorno mental, como ansiedade ou depressão. Além disso, a sobrecarga de cuidado, o empobrecimento e a insatisfação com o trabalho surgem como alguns dos fatores que mais repercutem na saúde mental feminina. 

De acordo com a pesquisa realizada pela organização Think Olga, também incidem sobre a saúde mental das mulheres aspectos como a pressão estética, a violência de gênero e as desvantagens sociais associadas ao gênero feminino, como a maior exposição à violência doméstica e sexual e a oferta limitada de oportunidades educacionais e de emprego.

O estudo destaca a situação financeira como principal motor de insatisfação, uma pressão que atinge com mais intensidade a vida das mulheres negras e pobres. As responsabilidades de cuidado também estão relacionadas a níveis mais altos de insatisfação com a situação financeira e o trabalho, já que uma mulher sobrecarregada com o cuidado tem menos tempo ou condições para se dedicar ao trabalho remunerado.

“Não é possível falar sobre a saúde mental dessa parcela da população considerando apenas fatores biológicos, como metabolismo, ciclos reprodutivos e hormônios. É essencial incorporar a perspectiva de gênero — e suas interseccionalidades com raça, classe e outras diferenças — e entender como elas influenciam as relações sociais e as condições de saúde mental tanto das mulheres quanto dos homens, uma vez que os transtornos e o sofrimento vivenciado por eles podem significar mais violência, mais sobrecarga e mais vulnerabilidade para elas”, explica o documento. 

Quem cuida das mulheres?
O relatório também discute a importância de cuidar de quem cuida, o que envolve iniciativas individuais, da sociedade civil, setor privado e, acima de tudo, do setor público. Algumas das sugestões apresentadas incluem o investimento, fortalecimento e ampliação do cuidado em saúde mental no SUS e nas redes de assistência social, com respeito aos princípios da Reforma Psiquiátrica; e a implementação e consolidação de políticas de transferência de renda focadas em mulheres, considerando os fenômenos da feminização da pobreza e da fome.

Além disso, o levantamento defende ações de fomento ao debate para desmistificar estigmas e tabus sobre a saúde mental; apoio ao empoderamento de agentes e comunidades para fortalecer o cuidado nos territórios; e instituição de licenças parentais que promovam o envolvimento de ambos os responsáveis no cuidado de filhos/as.

Clique aqui para ler o relatório “Esgotadas” na íntegra. 





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