Entrevistas do OAPS em 2021: pandemia, vacinação, desigualdades e conjuntura em debate

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 6 de janeiro de 2022
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Ao longo de 2021, o Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) deu continuidade às entrevistas do mês para debater temas importantes do cenário político, social, econômico e da saúde no país. Desenvolvido desde 2015, o espaço dedicado à promoção de reflexões de especialistas de diferentes áreas teve a pandemia de Covid-19 e a vacinação como questões centrais no último ano. Também abordou o aprofundamento da desigualdade estrutural na sociedade brasileira, a importância de uma pedagogia antirracista e os desafios do controle social no período.

 

Análises da conjuntura e de seus efeitos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), as políticas públicas e a garantia dos direitos fundamentais também estão presentes nas entrevistas, assim como considerações sobre o campo da Saúde Coletiva e a necessidade de revisão de suas raízes epistêmicas.

 

Confira as entrevistas do mês de 2021 do OAPS:

 

> Paulo Buss: entrevistado do mês de janeiro, o Diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz e do Centro Colaborador em Saúde Global e Cooperação Sul-Sul da Organização Pan-americana/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) destacou que na economia e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Brasil vai na contramão da sua própria história e das tendências globais. Para o professor emérito da Fiocruz e pesquisador e docente da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), o ano de 2020 marcou o aprofundamento de uma crise do multilateralismo. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Carla Domingues: a vacinação contra a Covid-19 é o grande tema da entrevista de fevereiro com a epidemiologista e doutora em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília (UNB). Com longa carreira no Ministério da Saúde, onde coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla falou sobre as dificuldades para execução da vacinação no país e formas de superá-las, destacando diversas ações necessárias, em um cenário de falta de planejamento e posicionamento antivacina do presidente da República. Apontou também a redução no alcance das metas recomendadas para coberturas vacinais no Brasil e em outros países, além do papel fundamental e o reconhecimento do PNI. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Elaine Nascimento: sublinhando que a pandemia “tem cor e tem gênero”, a pesquisadora e coordenadora adjunta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)/Piauí abordou temas como a importância da interseccionalidade para a formulação de políticas públicas equânimes; racismo e produção de dados em saúde; as dificuldades de investigar questões étnico-raciais e demandas da população LGBTQIA+ no ambiente acadêmico; e os sentidos e desafios de ser cientista no Brasil nos tempos atuais. Mulher negra, periférica, lésbica e cientista, Elaine dá respostas à entrevista de março com poemas e reflexões. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Áquilas Mendes: em abril, o doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliou o orçamento federal da saúde para 2021 e fez apontamentos sobre a crise capitalista e a priorização de políticas ultraneoliberais no Brasil; e o avanço do capital na saúde, com críticas ao novo modelo de alocação de recursos federais para a Atenção Primária (APS). Professor de Economia Política da Saúde da USP e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o ex-presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres) defendeu a formação de uma Frente Única para lutar pela retirada de Jair Bolsonaro da presidência a partir de duas pautas consideradas “importantíssimas”: a revogação imediata da EC-95 (Teto dos Gastos) e a aprovação da Contribuição sobre Grandes Fortunas no Congresso Nacional. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Monique Esperidião: professora, pesquisadora e doutora em Saúde Pública (ISC/UFBA), a entrevistada do mês de maio faz reflexões sobre o campo da Saúde Coletiva e as contribuições da área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde para pensar caminhos frente aos atuais desafios; e destaca as lições aprendidas a partir da análise comparada de sistemas de saúde e ações de enfrentamento de diferentes países à pandemia de Covid-19. A coordenadora do eixo “Análise de Políticas de Saúde Voltadas para a Infância” do OAPS traça um histórico destas políticas no Brasil e alerta para a progressiva retração de suas ações e a necessidade de investigar a fundo a situação das crianças na pandemia. Mãe de três crianças, fala também sobre obstáculos enfrentados pelas mulheres na ciência, e ressalta que é preciso mudar as estruturas machistas e misóginas da sociedade, dar atenção à saúde mental das mulheres e olhar com mais empatia para as mulheres professoras e pesquisadoras. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra. 

 

> Fernando Pigatto: a importância do controle social para evitar mais retrocessos no país, o desafio permanente na defesa do SUS e a participação do Conselho Nacional de Saúde (CNS) na CPI da Pandemia, por meio da produção de documentos para subsidiar as investigações de irregularidades e irresponsabilidades do governo federal no enfrentamento à Covid-19, foram pontos levantados na entrevista do mês de junho. O então presidente do CNS apontou ainda a relevância da produção acadêmica para que as políticas públicas sejam baseadas em evidências científicas e das entidades do Movimento da Reforma Sanitária, enquanto legado histórico e processo ainda em construção, na luta pelo SUS e pela responsabilização do Estado. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Deisy Ventura: a entrevista do mês de julho foi com a doutora em Direito Internacional, mestre em Direito Comunitário e Europeu e em Integração Latino-americana e co-coordena do projeto “Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasil”, que apontou evidências de que o governo federal implementou uma estratégia institucional de propagação da Covid-19 no país. Na entrevista, a pesquisadora afirma que atos normativos e de governo deixam clara a intencionalidade da ação federal em prol da disseminação da doença desde 2020, o que se manteve em 2021. E ressalta o papel da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 ao trazer novos elementos sobre tais intenções. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Hugo Spinelli: o diretor do Instituto de Saúde Coletiva (ISCo) da Universidade Nacional de Lanús (Argentina), coordenador da coleção Salud Colectiva‐Lugar Editorial e editor-chefe da Revista Salud Colectiva foi entrevistado no mês de agosto. A conversa passeou por temas como a trajetória do ISCo, que comemorou 10 anos em 2021 com uma programação especial, as parcerias com o Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC/UFBA), a cooperação técnica e política entre Brasil e Argentina para o fortalecimento da Saúde Coletiva e a importância da livre circulação de conhecimentos, da relação sujeito-sujeito e da superação do fascínio com o planejamento. O médico argentino e doutor em Saúde Coletiva pela Faculdade de Medicina da Universidade de Campinas (Unicamp) também faz reflexões sobre a necessidade de rever o processo de trabalho e as matrizes epistêmicas do campo da Saúde Coletiva. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Claudio Maierovitch: em setembro, a entrevista foi com o médico sanitarista, mestre em Medicina Preventiva e Social e ex-diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde (2011-2016), com trajetória dedicada à vigilância em saúde, epidemiologia e saúde coletiva. Maierovitch aponta fragilidades e frentes de ação que devem ser priorizadas no Sistema de Vigilância Epidemiológica do SUS no contexto da pandemia de Covid-19 e destaca a falta de coordenação e diretrizes claras para a resposta à pandemia. O ex-presidente da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2003 a 2005) também avaliou a atuação da autarquia ao longo da pandemia. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Élida Graziane: financiamento de direitos fundamentais, orçamento público, políticas públicas e controle da Administração Pública são alguns dos temas de pesquisa e atuação da nossa entrevistada do mês de outubro, procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo (MPC-SP) e doutora em Direito. Professora do Curso de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Élida discute questões cruciais, entre elas a importância de o debate sobre as finanças públicas refletir também as despesas financeiras e as opções de arrecadação; o balanço dos cinco anos da Emenda Constitucional; as repercussões do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5595 para o financiamento do SUS; e revelações do relatório produzido para a CPI da Covid no Senado. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Rosana Batista Monteiro: pedagoga, mestre (Unicamp) e doutora (UFSCar) em Educação, a entrevistada do mês de novembro do OAPS reflete sobre temas como a educação na perspectiva étnico-racial; racismo e academia; a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNAISP) e os currículos de formação de profissionais da saúde; retrocessos nas políticas públicas para a formação de professores/as; e sobre o quanto a pandemia tornou ainda mais evidente o racismo, o sexismo, o idadismo e as desigualdades sociais no Brasil. Para a professora da UFSCar/Sorocaba, líder do Grupo de Pesquisa em Educação, Territórios Negros e Saúde e integrante do GT Racismo e Saúde da Abrasco e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação, Relações Étnico-raciais e Formação de Professores (Geprafe), a pedagogia antirracista é um caminho para a mudança das relações humanas. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

 

> Pedro Hallal: ataques às universidades públicas, pandemia, vacinação e perspectivas para uma retomada segura de atividades em 2022 foram alguns dos temas abordados pelo epidemiologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), entrevistado do mês de dezembro do OAPS. O pesquisador também conversou sobre a experiência como reitor da UFPel, entre 2017 e 2020, quando sentiu na pele as consequências da política do governo federal para a educação, guiada por “discursos de ódio e anticiência”, e criticou o corporativismo, os “silêncios ensurdecedores” e a passividade de parte da comunidade universitária. Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.





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