Entidades do movimento da Reforma Sanitária cobram ações de combate à Febre Amarela
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 27 de janeiro de 2017
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022
Em carta aberta divulgada ontem (26), entidades integrantes do Fórum da Reforma Sanitária Brasileira cobram ações do Ministério da Saúde (MS) para combate à Febre Amarela diante do aumento do número de casos e de mortes pela doença no país. O documento aponta que a ameaça da urbanização da Febre Amarela torna urgente a definição de políticas de curto e médio prazo para prevenção de surtos e invoca que o MS organize e coordene o combate à doença “mobilizando e integrando ações dos estados, municípios, centros de pesquisa, universidades e meios de comunicação”.
A carta destaca que a já conhecida dificuldade de controle do vetor Aedes aegypti, que transmite a Febre Amarela na área urbana, além de transmitir Zika, Dengue e Chikungunya, e o progressivo aumento do número de casos no país, torna “assustadora” a possibilidade de haver uma epidemia urbana da doença. O documento aponta que há no momento a epizootia, uma epidemia de Febre Amarela silvestre em macacos suscetíveis à doença, em área próximas a cidades populosas, em vários estados do país. Para as entidades, ainda que os atuais surtos de Febre Amarela sejam atribuídos a pessoas picadas por mosquitos que vivem em áreas de mata – a Febre Amarela silvestre é transmitida através da picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem em matas e vegetações à beira dos rios – “não se pode mais afirmar com segurança que ainda não existe transmissão urbana da doença”.
O documento indica medidas como a vacinação “imediata e abrangente” das populações residentes ou que visitam as áreas onde estão ocorrendo casos de Febre Amarela; disponibilização de protocolos de atenção clínica aos casos suspeitos aos profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS); reforço da produção e da distribuição de vacinas e avaliação da ampliação do número de profissionais treinados para indicar com segurança a vacinação seletiva e aplicar as vacinas uma vez que “a disponibilidade de vacinas e a capacidade atual de realizar rapidamente estas ações estão aquém das necessidades das secretarias de saúde dos municípios afetados”. Outros pontos citados são atualização da lista de municípios considerados de risco, no atual cenário, pelo MS, para planejamento de medidas que impeçam o avanço dos surtos, além de orientação para a população que se desloca para estas localidades, e reforço da rede de laboratórios para diagnóstico rápido dos casos suspeitos.
A carta ressalta ainda que a Febre Amarela pode ser evitada com a adoção de medidas preventivas, que incluem elevadas coberturas vacinais e informações e ações de educação em saúde para que pessoas não imunizadas não adentrem matas ou permaneçam em áreas consideradas de risco. “Estas ações, que devem ser contínuas e intensificadas quando se detecta epizootias, evitariam a crise pela qual estamos passando com dezenas de mortes até o momento”.
A carta aberta é assinada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES); Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes); Instituto de Direito Sanitário Aplicado (Idisa); Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares; Sociedade Brasileira de Bioética (SBB). Leia na íntegra
Casos
Segundo o Ministério da Saúde, até esta quinta-feira (26) foram registrados 550 casos suspeitos de febre amarela – 455 casos em investigação, 72 confirmados e 23 descartados, e notificados 105 óbitos – 40 confirmados, 65 ainda em investigação, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Foram enviadas 5,4 milhões de doses extras para os estados com casos suspeitos. Ainda segundo o órgão, o estoque estratégico de vacinas foi reforçado com mais 11,5 milhões de doses, 6 milhões já repassadas pela Fiocruz/Biomanguinhos.
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