Entidades, academia e movimentos sociais lamentam morte de Marcus Vinícius de Oliveira

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 6 de fevereiro de 2016
Atualizado em: 26 de dezembro de 2021

A morte de Marcus Vinícius de Oliveira, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e histórico militante da luta antimanicomial, causou consternação na comunidade acadêmica, movimentos sociais e entidades que atuam em defesa da saúde e dos direitos humanos. Marcus Vinícius foi assassinado na noite da última quinta-feira (4) no povoado de Pirajuía, município de Jaguaripe (BA), com um tiro na cabeça. As circunstâncias da morte estão sendo investigadas pela polícia do município. Nos últimos anos, o militante vinha atuando como mediador de conflitos de terra envolvendo comunidades rurais e fazendeiros. Entidades e organizações como a Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Movimento Nacional da Luta Antimanicomial e Justiça Global cobram a apuração do crime.

Psicólogo de formação, Marcus Vinícius, teve participação ativa na consolidação do campo, com atuação voltada para a defesa dos direitos humanos. Veja abaixo algumas notas.

ABRASCO

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva recebeu, com tristeza e indignação, a notícia do assassinato de Marcus Vinicius de Oliveira, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia, defensor dos direitos humanos e militante das causas sociais.

Marcus Vinícius, também conhecido como Marcus Matraga, foi vítima de homicídio, no município de Salinas das Margaridas, em função de sua atividade política na mediação de conflitos de terras indígenas. Ele foi sequestrado por dois homens armados em casa e levado até uma estrada do povoado, onde foi morto com um tiro na cabeça.

Manifestamos a nossa profunda preocupação com os casos de assassinatos, agressões e expulsões relacionados aos conflitos por terras indígenas na Bahia e, por fim, exigimos que o Ministério da Justiça atue na apuração desse crime político.

A Nota de Pesar da Abrasco foi enviada nesta sexta-feira, 5 de fevereiro, ao Ministro de Estado da Justiça, Dr. José Eduardo Cardozo, como pedido para a apuração na morte de Marcus Vinicius.

Movimento Nacional da Luta Antimanicomial

Nota de falecimento de Marcus Vinicius de Oliveira, Marcus Matraga!

É com pesar que temos a notícia do corte prematuro de uma vida intensa. Pesar, se tratando de Marcus Vinicius Matraga, é um sentimento estranho, pois suas alegrias e energias sempre foram marcas em sua militância e vida. Tiraram de nós uma referência. Para estudantes um animador de uma psicologia e um mundo não fascista. Para militantes antimanicomiais assertivo de uma saúde mental sem carceres. Para todos um militante de uma vida livre. Vida que no momento de sua morte era sua busca. Por terras sem donos, sem escravos e sem fome. Na terra o encontraram, estamos certos que germinou e continuará germinado vidas livres e antimanicomiais.

Assassinado sob os olhos coniventes da burguesia ruralista. Gestos arcaicos de um Brasil de latifundiários e donos de manicômios, gestos covardes de um Brasil de ruralistas e rentistas, NÃO PASSARÃO!

Marcus Matraga, Presente!

Movimento Nacional de Luta Antimanicomial

Conselho Federal de Psicologia

Nota de pesar: Marcus Vinicius de Oliveira Silva
CFP espera que as circunstâncias que envolvem sua trágica morte sejam plenamente esclarecidas

É com pesar e consternação que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) comunica o falecimento do psicólogo e professor Marcus Vinicius de Oliveira Silva.
Professor adjunto aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia, Marcus Vinícius teve importante papel acadêmico como coordenador do Laboratório de Estudos Vinculares e Saúde Mental (IPSI – UFBA) e diretor do Instituto Silvia Lane – Psicologia e Compromisso Social.

Graduado em psicologia pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (1982), como pesquisador, formou-se Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (1995) e Doutor em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003).

Defensor incansável dos direitos humanos, Marcus foi militante da Reforma Psiquiátrica e da Saúde Mental no Brasil. Interessava-se ainda pela Clínica das Psicoses e pelo estudo das desigualdades sociais e subjetividade.

Marcus Vinícius participou ativamente da consolidação da Psicologia no Brasil, tendo integrado o Conselho Federal de Psicologia nas gestões de 1988 – 1989, 1992 – 1995, 1997 – 1998, 1998-2001 e 2004 – 2007. Também esteve em gestões dos conselhos regionais de Minas Gerais e Bahia.

Foi coordenador do Centro de Referências em Políticas Públicas – CREPOP – entre os anos de 2004 e 2007. No Conselho Nacional de Saúde participou da Comissão Nacional de Saúde Mental, como representante do FENTAS – Fórum Nacional de Trabalhadores de Saúde. Foi, ainda, integrante da Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica de 1994 a 1997.

O CFP lamenta profundamente a perda desse grande profissional para a Psicologia brasileira e se solidariza com seus amigos e familiares, e espera que as circunstâncias que envolvem sua trágica morte sejam plenamente esclarecidas.

Justiça Global

Nota da Justiça Global sobre o assassinato do psicólogo defensor de direitos humanos Marcus Vinicius de Oliveira

É com imenso pesar que a Justiça Global recebe a notícia da morte de Marcus Vinicius de Oliveira, psicólogo, militante e defensor de direitos humanos.
Marcus Vinícius vinha atuando na mediação de conflitos de terra entre comunidades rurais e fazendeiros na Bahia. Ele foi assassinado na noite do dia 04 de fevereiro no povoado de Pirajuia, município de Jaguaripe, numa emboscada.

Desde o  período da ditadura empresarial-militar, Marcus Vinicius lutava por democracia, igualdade e justiça. Tem um papel emblemático para a construção de uma psicologia comprometida com os direitos humanos e as lutas sociais, e foi um importante militante da luta antimanicomial. Sua contribuição foi fundamental para a primeira condenação do Brasil na Corte Interamericana, no caso Damião Ximenes – torturado até a morte em uma clínica psiquiátrica -, caso do qual a Justiça Global é peticionária e cuja sentença foi significativa para o processo da Reforma Psiquiátrica.

A morte deste defensor de direitos humanos ocorre num momento em que cresce de forma alarmante o número de casos de assassinatos de outros defensores e defensoras (são mais de seis apenas nesse início de ano) e vem confirmar a extrema fragilização da política de proteção a defensoras e defensores no Brasil, reiteradamente denunciada pela sociedade civil nos últimos anos. O programa estadual de proteção da Bahia encontra-se suspenso, da mesma forma que em vários outros estados do país.

Essa situação também evidencia, mais uma vez, a falta do enfrentamento das causas estruturais das situações de risco, ameaça e ataque a defensoras e defensores de direitos humanos, sendo a não garantia do direito a terra e território e os conflitos agrários daí decorrentes um dos principais motivos das violações.

É inaceitável que o Estado negligencie sua responsabilidade nesta conjuntura que continua favorecendo os interesses do capital e matando quem a ele resiste.

Seguimos na luta por uma sociedade sem manicômios e contra a desigualdade e todas as formas de encarceramento da vida, a exemplo de Marcus Vinícius.

Marcus Vinicius, presente!

Universidade Federal da Bahia
À Comunidade UFBA

A Universidade Federal da Bahia recebeu, consternada, a notícia do falecimento, em circunstâncias trágicas, há poucas horas, do professor aposentado do Instituto de Psicologia Marcus Vinicius de Oliveira. O professor era, nas palavras da diretora do IPSUFBA, Ilka Bichara, “um grande combatente das causas sociais, principalmente na luta antimanicomial”. Em nota o Conselho Federal de Psicologia destacou a sua participação na consolidação da Psicologia no Brasil, tendo integrado diversas gestões do CFP e dos conselhos regionais de Minas Gerais e Bahia.

Marcos Vinícius foi vítima de homicídio, no município de Salinas das Margaridas, onde morava, ao que parece, em função de sua atividade política na mediação de conflitos de terra, em circunstâncias a ser apuradas pelas autoridades competentes. Assim que o corpo for liberado, seguirá para Belo Horizonte onde ocorrerá o sepultamento.

Gabinete da Reitoria
Universidade Federal da Bahia





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