Digitalização avança na saúde e formação profissional surge como desafio, aponta pesquisa
Autor: Patrícia Conceição
Publicado em: 18 de outubro de 2024
Atualizado em: 11 de novembro de 2024
A adoção de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nos estabelecimentos de saúde vem crescendo no Brasil, mas a formação de profissionais do setor para lidar com as novas ferramentas digitais ainda é insuficiente. Este é o cenário revelado pela pesquisa TIC Saúde 2024, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento mostra que 92% dos estabelecimentos já utilizam algum tipo de sistema eletrônico para registrar informações dos/as usuários/as, mas apenas 23% de médicos/as e enfermeiros/as receberam treinamento específico em informática aplicada à saúde nos últimos 12 meses.
Em 2024, a utilização de sistemas eletrônicos nos serviços de saúde brasileiros cresceu 5% em comparação com o ano passado. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a informatização alcançou 97%, um incremento de 8% em relação a 2023, que pode ser percebido nos indicadores de digitalização de dados como registros de vacinas (95%), histórico de pacientes (96%) e informações de admissão, transferência e alta (76%).
Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br/NIC.br, a adoção de sistemas eletrônicos em saúde possibilita melhoria na qualidade do atendimento, promove práticas clínicas mais seguras e facilita o compartilhamento e monitoramento de dados entre diferentes níveis de atenção. Por outro lado, o cenário identificado no estudo destaca a importância de investir em formação para lidar com as demandas próprias do processo de transformação digital. “Tendo em vista o avanço da saúde digital no país, é fundamental que os profissionais de saúde possuam formação específica para o uso adequado das tecnologias digitais, compreendendo seus potenciais e riscos”, enfatiza.
Entre médicos/as que participaram das atividades de formação, os principais temas abordados foram segurança de pacientes (95%), ética, segurança e privacidade (85%), análise (84%) e qualidade dos dados (82%). Já entre enfermeiros/as, os assuntos mais frequentes abarcam segurança de pacientes (85%), cuidados centrados na pessoa (80%), ética, segurança e privacidade (79%).
Inteligência Artificial na saúde
Pela primeira vez, o levantamento avaliou o uso de Inteligência Artificial (IA) nos serviços de saúde. Cerca de 4% dos estabelecimentos fazem uso dessa tecnologia, presente especialmente na automatização de processos de fluxos de trabalho (67%), na aplicação de ferramentas de IA Generativa, como ChatGPT (63%), e na mineração de texto e análise de linguagem escrita (49%). Entre profissionais de saúde, 16% dos/as enfermeiros/as e 17% dos/as médicos/as já utilizam ferramentas de IA.
No grupo de estabelecimentos onde essas ferramentas não são adotadas, os principais motivos apresentados são o fato de não constituir uma prioridade (61%), a falta de necessidade (59%) e os altos custos envolvidos (49%). Os desafios e oportunidades da Inteligência Artificial para o SUS serão debatidos no 11º Seminário de Gestão de Tecnologias e Inovação em Saúde (11º GTIS), que acontece nos dias 07 e 08 de novembro de 2024, em Salvador (BA).
Segurança da informação e LGPD
Quando o assunto é segurança da informação, a pesquisa mostra avanços na incorporação de ferramentas e estratégias com esta finalidade numa comparação entre os indicadores de 2023 e 2024, o que inclui aumento no uso de criptografia da base de dados (6%), na criptografia de arquivos e e-mails (8%) e na adoção de certificação digital (5%). No entanto, ainda há desigualdades entre os setores público e privado no que diz respeito à implementação de medidas de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – 57% dos estabelecimentos privados e 28% dos públicos promoveram campanhas de conscientização sobre a lei, por exemplo.
O TIC Saúde também se debruçou sobre temas como uso das funcionalidades de telessaúde disponíveis nos estabelecimentos, entre eles teleconsultas, telediagnósticos, monitoramento remoto de pacientes, educação em saúde e atividades de pesquisa à distância; a disponibilidade de equipamentos eletrônicos nos serviços (notebooks, tablets e computadores de mesa); e a aplicação de tecnologias emergentes, como serviços em nuvem.
TIC Saúde
Realizada desde 2013 e conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Cetic.br/NIC.br), a TIC Saúde é parte de um esforço contínuo para mapear a incorporação de tecnologias digitais na saúde e identificar desafios e potenciais da transformação digital no setor.
A pesquisa investiga a infraestrutura e a disponibilidade de aplicações baseadas em tecnologias da informação nos estabelecimentos, além de observar como médicos/as e enfermeiros/as se apropriam dessas ferramentas em suas rotinas de trabalho e quais as principais barreiras para sua adoção. Em 2024, o levantamento ouviu mais de 4 mil gestores/as e profissionais de saúde de diversas regiões do Brasil. Clique para acessar o estudo na íntegra.
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