Depressão atinge mais de 1/3 de cuidadores de crianças com zika, aponta estudo do ISC/UFBA
Autor: Redação ISC/UFBA
Publicado em: 30 de outubro de 2019
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
Uma pesquisa liderada pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) aponta que 36,5% dos/as cuidadores/as de crianças com a síndrome congênita do zika vírus apresentam diagnóstico de depressão. Ainda de acordo com o estudo, também foram identificados atrasos significativos no desenvolvimento cognitivo, motor e na linguagem das crianças que nasceram com microcefalia ou outras alterações neurológicas causadas pela zika.
Criado após o surto da doença, em 2015, o projeto “Desenvolvimento Infantil na Comunidade” (DICa) tem o objetivo de fazer o acompanhamento dessas crianças no contexto da atenção básica. “É uma proposta que envolve ideias inovadoras na questão do cuidado da primeira infância e na inclusão social”, explica a professora Darci Neves (ISC/UFBA), coordenadora do estudo.
Segundo o levantamento, a capacidade cognitiva, a exemplo da percepção, memória e raciocínio, foi identificada com atraso pela escala de avaliação Bayley (usada para medir o desenvolvimento infantil) em 79,4% das crianças com a síndrome congênita. Já em relação ao desenvolvimento motor, responsável por atividades como agarrar objetos, andar e pular, o percentual de atraso foi percebido em 81,7% delas. A linguagem também revelou atraso em 77,9% dos casos.
“No momento da avaliação, essas crianças tinham, aproximadamente, 3 anos, mas o funcionamento mental correspondia, em média, a mais ou menos 1 ano de idade”, observa a coordenadora.
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