Defesa do SUS e papel do método epidemiológico marcam o X Congresso Brasileiro de Epidemiologia

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 18 de outubro de 2017
Atualizado em: 3 de janeiro de 2022

A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), debates sobre impactos da conjuntura de crise e discussões sobre o método epidemiológico marcaram o X Congresso Brasileiro de Epidemiologia (EPI) da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco. Realizado de 7 a 11 de outubro de 2017, em Florianópolis (SC), o evento teve como tema “Epidemiologia em defesa do SUS: formação, pesquisa e intervenção”. O evento teve atividades organizadas em seis eixos temáticos: Desafios e avanços teóricos e metodológicos; Avaliação e intervenção em saúde coletiva; Ações e inovações em vigilância em saúde; Ampliando o conhecimento, políticas e práticas; Sustentabilidade e integridade em pesquisa; Formação em epidemiologia.

Para Ana Luiza Vilasbôas (ISC/UFBA), coordenadora do eixo “Estudos e Pesquisas em Atenção Primária e Promoção da Saúde” do OAPS, o congresso foi um marco pela qualidade e pertinência da programação científica. “O Congresso de Epidemiologia em 2017 reforça a dimensão política do campo da Saúde Coletiva e o compromisso social da epidemiologia com a produção de evidências que podem nos ajudar, não só a compreender e identificar os principais problemas de saúde da população, mas especialmente sua relação com as desigualdades sociais e com os prejuízos que a austeridade fiscal vai provocar e já tem provocado”, elogiou Ana Luiza, destacando que a escolha da defesa do SUS como eixo propiciou uma programação bastante plural, com conferências de excelente nível cientifico e implicadas socialmente.

A pesquisadora destacou a exposição aprofundada sobre a conjuntura na conferência de abertura de Jairnilson Paim (ISC/UFBA), coordenador geral do projeto Análise de Políticas em Saúde – “uma apresentação bastante aprofundada, trabalhando com o referencial teórico de Mario Testa e o postulado da coerência”; resultados apresentados por David Stuckler (Universidade de Oxford) de estudos na Grécia e em outros países da Europa, mostrando que a austeridade fiscal implica piora das condições de saúde da população e redução do acesso aos serviços de saúde; a oficina de trabalho da Rede de Pesquisas de Atenção Primária à Saúde, com discussão de estratégias metodológicas de avaliação dos efeitos do Saúde da Família e outros programas relacionados à Atenção Básica sobre a melhoria do acesso da população aos serviços de saúde e redução de problemas importantes de saúde; apresentações de resultados de estudos prospectivos que revelam que, com a manutenção da Emenda Constitucional 95, que limita o teto de gastos públicos nos próximos 20 anos, possivelmente haverá aumento significativo da mortalidade infantil de menores de 5 anos, além de sessões de pôsteres interativas e presença marcante de estudantes de pós-graduação.

“O Congresso foi um momento também de articulação e de congraçamento dos profissionais que trabalham na Saúde Coletiva no Brasil, pesquisadores, profissionais e gestores. […] Eu sou da área de política, planejamento e gestão, mas foi muito importante participar deste evento em função das novidades do ponto de vista metodológico para que a gente possa melhor estudar os problemas do sistema de saúde, os problemas da saúde da população, para melhor informar a implementação de políticas públicas implicadas com a Reforma Sanitária Brasileira”, avaliou.

Confira a cobertura das principais atividades da programação feita pela equipe da Abrasco:

Conferência “A Epidemiologia em defesa do SUS: mas qual SUS”, de Jairnilson Paim (ISC/UFBA)

Conferência “Superando crises econômicas: o papel do desenvolvimento científico tecnológico”, de Maurício Barreto (ISC/UFBA) 

Conferência “Efeitos das políticas de austeridade sobre a saúde das populações”, de David Stuckler (Universidade de Oxford) 

Conferência “Inferência causal em epidemiologia”, de Maya L. Petersen (University of California Berkeley) 

Conferência “A resposta brasileira à emergência da epidemia pelo vírus zika”, de Celina Turchi Martell (CPqAM/Fiocruz)





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