Crise econômica e redução de gastos sociais levam a aumento da mortalidade no Brasil, aponta estudo
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 15 de outubro de 2019
Atualizado em: 5 de janeiro de 2022
A recessão brasileira e o crescimento do desemprego contribuíram para o aumento da taxa de mortalidade no país. Por outro lado, investimentos em saúde e proteção social parecem diminuir os efeitos da crise, principalmente entre populações vulneráveis. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores/as do Brasil e do Reino Unido, publicado no periódico The Lancet, que utilizou dados do Ministério da Saúde, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Sistema de Informações para o Orçamento Público em Saúde (SIOPS), referentes a número de óbitos, gastos com saúde e proteção social.
Entre 2012 e 2017, foi registrado cerca de 7 milhões de óbitos entre adultos (com idade igual ou superior a 15 anos) em 5.565 municípios brasileiros. Durante esse período, a taxa média de mortalidade por município aumentou 8% – de 143 mortes por 100 mil habitantes (2012) para 154 mortes por 100 mil habitantes (2017). O aumento de um ponto percentual na taxa de desemprego foi associado a um crescimento de 0,5% (por 100 mil habitantes) da mortalidade por todas as causas, especialmente câncer e doenças cardiovasculares. De 2012 a 2017 o aumento do desemprego representou 31.415 mortes a mais no Brasil. Nos municípios com altos gastos em programas de saúde e proteção social, no entanto, não foram observados aumentos significativos na mortalidade relacionada à recessão.
Na análise dos dados, a estratificação da população por idade, sexo e raça revelou maior associação entre desemprego e mortalidade entre homens (faixa etária de 30 a 59 anos), negros e pardos. “O estudo mostrou que os efeitos da redução de investimentos em políticas sociais são maiores em certos grupos sociais que, historicamente, têm menos vantagens dentro da sociedade, como os negros. Ou seja, também em momentos de crise, esses subgrupos sofrem mais”, explicou o pesquisador Maurício Barreto, um dos autores do estudo, em entrevista à Fiocruz (leia reportagem aqui).
O artigo “Effect of economic recession and impact of health and social protection expenditures on adult mortality: a longitudinal analysis of 5565 Brazilian municipalities” pode ser acessado aqui.
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