Coronavírus: Rede assistencial organizada e informação correta são importantes, mas não podemos esquecer os outros problemas de saúde do país, alerta pesquisador

Autor: Informações da Abrasco/Bruno C. Dias
Publicado em: 30 de janeiro de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio Cunha, falou à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) sobre a probabilidade de circulação do novo coronavírus (2019-nCoV) no Brasil. Notificado em pessoas pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, no dia 31 de dezembro de 2019, o novo coronavírus é uma nova cepa do vírus conhecido por causar infecções respiratórias em seres humanos e em animais desde meados de 1960. Com mais de 7 mil casos confirmados na China e em pelo menos outros 15 países, há nove casos considerados suspeitos no Brasil sendo monitorados pelo Ministério da Saúde. Em entrevista à Abrasco, o pesquisador afirmou que é necessária uma rede assistencial robusta e organizada, com profissionais de saúde informados e conscientes de seu papel, para o país e a sociedade brasileira estarem preparados.

 

Para Rivaldo, “há grande probabilidade do novo coronavírus circular com maior facilidade nos próximos meses, que pode provocar quadros graves. No entanto, todos os anos vivenciamos no Brasil um aumento no número de infecções respiratórias, principalmente no inverno. Já temos um certo conhecimento construído nas últimas décadas para essas infecções pulmonares, sabemos quais são os grupos mais vulneráveis que têm uma facilidade de desenvolver sintomas mais graves, como pessoas idosas com quadros crônicos de enfisema e asma, pessoas obesas, crianças, gestantes e portadores e portadoras de doenças crônicas ou com imunodeficiência”.

 

O pesquisador chama atenção para a atuação dos trabalhadores da saúde – “peças fundamentais no sentido de debater com os gestores para contribuir para a estruturação de planos de enfrentamento para a realidade que se avizinha”; o planejamento – “se não precisar pôr em prática, melhor para todo mundo, mas temos de estar preparados para o cenário que vier. A fragilidade na rede assistencial, tanto primária quanto especializada, traz um agravante adicional que devemos evitar”; e a contenção de boatos e notícias falsas.

 

Também, destaca que as autoridades e a sociedade não podem esquecer dos demais problemas e desafios da saúde no país: “Chegamos a um quadro de 150 mil mortes violentas por ano. Esse é um problema gravíssimo que já temos, não precisa chegar. Não podemos esquecer o que está em nosso meio, há décadas e séculos. Pensar nos novos problemas não pode ser motivo para esquecermos os antigos”.

 

Leia aqui a matéria da Abrasco na íntegra.





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