Conexões entre 1964 e crise atual são tema de artigo “O Brasil à beira do abismo, de novo”
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 29 de março de 2016
Atualizado em: 30 de dezembro de 2021
As conexões entre os contextos políticos brasileiros de 1964 e 2016, bem como as semelhanças entre os ingredientes que compõem a conjuntura de tensão e polarização política do país são tema do artigo “O Brasil à beira do abismo, de novo”, escrito pelo historiador e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rodrigo Patto Sá Motta. Ao analisar o cenário atual, o pesquisador aponta diversas similaridades com o quadro político de 1964:
“Há um governo de centro-esquerda acuado pela grande mídia e com apoio minoritário no Congresso, em quadro de crise econômica. Vemos uma semelhante mobilização de grupos de direita e protestos de rua contra o governo, que é atacado igualmente com argumentos anticomunistas e anticorrupção. Setores majoritários das classes médias e superiores mostram-se em estado de rebelião, dispostos a derrubar o governo da maneira que for possível, sem maiores preocupações com o respeito às regras institucionais. Embora divididos no momento inicial, setores de esquerda e progressistas tendem a aproximar-se na defesa das instituições e dos projetos sociais que o governo representa, procurando mobilizar também as ruas e os movimentos sociais. Como em 1964, o ocupante do Poder Executivo é herdeiro de um grande líder anterior, figura carismática com grande capacidade de aglutinação, no entanto, infelizmente, não possui a mesma habilidade do seu mestre, detalhe que contribuiu para piorar a crise”, escreve.
Rodrigo Patto também aponta as diferenças entre as duas conjunturas, como a ausência dos militares na cena política atual e o maior destaque dado no momento ao tema da corrupção, enquanto na crise de 1964 o grande fator unificador das oposições foi o anticomunismo. “O fato de [a corrupção] tornar-se motivo para mobilização oposicionista apenas em determinados contextos e contra alvos específicos é muito revelador. A sensibilidade anticorrupção só eclode de maneira grave quando alguns grupos consideram o governo inaceitável. Está virando uma tradição brasileira usar discursos anticorrupção para desestabilizar e retirar do poder um governo indesejável (para certos grupos, claro), sem que os problemas estruturais que geram a corrupção sistêmica sejam enfrentados”, diz o artigo.
Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente professor visitante no Institut des Hautes Etudes de L'amérique Latine (IHEAL), na França, Rodrigo Patto tem ampla experiência em pesquisa nos campos de História Política, História do Brasil República e História Contemporânea. É autor dos livros “Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil” (Ed. Perspectiva), “Jango e o golpe de 1964 na caricatura” (Zahar) e “As universidades e o regime militar” (Zahar). Suas pesquisas mais recentes estão voltadas para questões relacionadas ao golpe de 1964 e regime militar, repressão política, anticomunismo, política universitária, memória e atuação da esquerda.
Clique aqui para ler na íntegra o artigo “O Brasil à beira do abismo, de novo”.
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