Comunidade ISC relata suas experiências durante Abrascão 2015

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 13 de agosto de 2015
Atualizado em: 14 de dezembro de 2021

O 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão 2015 reuniu mais 4 mil congressistas na Universidade Federal de Goiás (UFG), entre os dias 28 de julho e 1º de agosto. A programação pré-congresso incluiu oficinas, cursos e reuniões desde o dia 27 de julho. Pesquisadores, docentes e discentes do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA) marcaram presença nos seis dias de evento. Para os jovens pesquisadores e estudantes de graduação e de pós-graduação do ISC-UFBA, o Abrascão 2015 foi um espaço de debates marcantes.

 

A graduanda Andrea Lais Santos, aluna do 7º semestre, achou que a ida ao Abrascão foi uma experiência fundamental. “Não compreendia a dimensão ampla das abordagens. Percebo que foi importante, principalmente por estar no último ano do curso, e pelos atuais acontecimentos na saúde e na educação em nível nacional, além dos debates políticos acerca da necessidade do trabalho em rede”, concluiu. Andrea, que integra o Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica em Formação e Avaliação da Atenção Básica – GRAB, destacou as discussões sobre o financiamento da saúde e a reflexão sobre as propostas que podem ser encaminhadas para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, que acontece de 1º a 4 de dezembro, em Brasília. Também vinculada ao GRAB, a estudante Mônica Sacramento acredita que era necessária maior presença de atores políticos, como o ministro da Saúde Arthur Chioro e o secretário de Saúde de Goiás, ao longo da programação. “Achei as discussões bastante ricas e pertinentes para o cenário atual de ‘sucateamento do SUS’ e percebi a importância do debate e da presença da academia com intervenções e ideias”, destacou.

 

Para Thadeu Santos, doutorando vinculado ao Grupo de Pesquisa sobre Trabalho e Educação na Saúde do ISC, “o Abrascão é o maior evento científico em Saúde Coletiva do Brasil e, arrisco afirmar, da América! Sua regularidade de ocorrência permite traçar uma linha histórica das temáticas em evidência e, neste ano, o sentimento de necessidade de união de forças em defesa do SUS foi realmente marcante. Pudemos reiterar nossos princípios de solidariedade por um conjunto de serviços públicos articulados que constituem a rede sustentada pelo SUS. Um ponto alto a ser destacado foi a construção de um alinhamento com o CEBES – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, que percebo com a trajetória dos novos membros da nova presidência que assumiu a Abrasco”. A tese de Thadeu está vinculada ao eixo temático Modelos de Gestão Hospitalar no SUS do OAPS.

 

Participando do congresso da Abrasco pela segunda vez, Maria Gabriele de Almeida, bolsista vinculada ao eixo Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira no período de 2007 a 2016, destacou mudanças relacionadas à ida ao congresso em momentos distintos de sua vida acadêmica. “O olhar que tive foi bastante diferente. No congresso de 2012, com um pouco mais de um ano de ingresso na graduação, eu tinha o objetivo de me reconhecer dentro da Saúde Coletiva enquanto possível ator social. No 11º Abrascão, já egressa e integrante de um projeto de pesquisa, pude ter um olhar mais crítico diante das discussões proporcionadas durante o evento”.

Maria Gabriele destacou duas atividades da programação científica: o debate Saúde da População Brasileira, “onde foi possível discutir a temática proposta a partir do olhar da epidemiologia, da política, planejamento e gestão e das ciências sociais em saúde”, e a mesa redonda Inserção Profissional dos Egressos dos Cursos de Saúde Coletiva, que “fomentou a inserção do Bacharel em Saúde Coletiva no mercado de trabalho reafirmando a importância desses profissionais para a consolidação do SUS”.

 

A escolha do tema “Saúde, desenvolvimento e democracia: o desafio do SUS universal” para a 11º edição do congresso tornou o evento um lugar de resistência. A opinião é de Paloma Silveira, pesquisadora vinculada aos grupos Planificação, Gestão e Avaliação em Saúde e Programa Integrado em Gênero e Saúde – MUSA do Instituto. Para Paloma, “o SUS está sob grande risco de desmonte e a Saúde Coletiva, por meio do Abrascão, reafirmou o seu compromisso ético-político de construção de uma sociedade mais justa e igualitária expresso na defesa contundente, realizada em diferentes momentos do congresso, pelo SUS”.

 

Também vinculada ao eixo Análise do Processo da Reforma Sanitária Brasileira de 2007 a 2016, Paloma destacou a realização da mesa redonda realizada no último dia do congresso composta por Nelson Rodrigues, Sonia Fleury e Jairnilson Paim, coordenador geral do OAPS. “Pude ter uma noção histórica, mesmo que breve, das correlações de força, das propostas e projetos em disputas no período em que o Movimento Sanitário emergiu. Também foram apontados os desafios para o presente. Ficou evidente como processo da Reforma Sanitária está vivo, pulsante, e buscando novos caminhos”, concluiu.





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