Carta e nota técnica da Abrasco alertam sobre riscos na estratégia de combate ao Aedes aegypti

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 1 de fevereiro de 2016
Atualizado em: 2 de janeiro de 2022

A Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva assina uma carta de alerta e uma nota técnica com questionamentos sobre a estratégia de controle vetorial do Aedes aegypti com uso de produtos químicos adotada pelo Ministério da Saúde como reação à epidemia de microcefalia. Os documentos nomeados “Microcefalia e doenças vetoriais relacionadas ao Aedes aegypti: os perigos do controle com larvicidas e nebulização química (fumacê)” fazem críticas duras à manutenção da mesma abordagem usada há 40 anos, sem sucesso, em resposta aos casos de dengue. Também à ocultação dos riscos à saúde humana relacionados à exposição aos agentes químicos utilizados.

Tanto a carta como a nota destacam o “Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional” declarado pelo Ministério da Saúde após associação do Zika vírus com o aumento dos casos de microcefalia, medida tomada pela última vez em 1917 devido aos casos de gripe espanhola no país. A consequente intensificação das ações de controle do Aedes, transmissor do Zika vírus, mantendo a mesma tática – uso de produtos químicos – é considerada perigosa. Os documentos citam os perigos dos produtos mais utilizados, como dificuldade respiratória, náusea, vômito, fraqueza muscular, problemas no sistema nervoso central e periférico, mesmo nas concentrações recomendadas. E alertam para o jogo de interesses da indústria que produz os inseticidas, larvicidas e demais produtos utilizados, com apoio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sobre o reforço das ações de enfrentamento ao Aedes aegypti, com proposta de uso de larvicidas diretamente em carros pipa em regiões do Nordeste, a nota técnica alerta que “esta é a mais recente medida sanitária absurda e imprudente imposta pelos gestores do modelo químico de controle vetorial”.

Os documentos também traçam um panorama dos vários fatores que contribuíram para a epidemia de microcefalia, chamada de “tragédia sanitária”, entre eles: saneamento básico inadequado, com provimento de água irregular que acarreta no seu armazenamento domiciliar inseguro, coleta de lixo precária e falta de integração entre municípios, estados e União para planejamento e gestão de ações de Vigilância em Saúde.

A nota técnica, assinada também pelos Grupos de Trabalho (GTs) da Abrasco ‘Saúde e Ambiente’, ‘Saúde do Trabalhador’, ‘Vigilância Sanitária e Promoção da Saúde’ e ‘Desenvolvimento Sustentável’, afirma que as ações do MS com foco no mosquito são simplistas e devem ser substituídas por “medidas de cunho intersetoriais para intervir no contexto socioeconômico e ambiental”. E reivindica uma série de medidas a serem cumpridas pelas autoridades.

Leia na íntegra a Carta de alerta e a Nota técnica.





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