Atenção Primária à Saúde (APS) e o cuidado integral e articulado nas emergências sanitárias

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 10 de dezembro de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Em entrevista ao Informe ENSP, a pesquisadora Lígia Giovanella destaca o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) em emergências sanitárias e sua contribuição para o enfrentamento da pandemia de Covid-19. A sanitarista ressalta que sistemas de saúde baseados em APS oferecem melhor resposta aos desafios colocados e que a APS tem papel fundamental na abordagem comunitária e de vigilância em saúde necessária na pandemia – “desde o início da pandemia, temos frisado que enfrentar uma epidemia requer uma abordagem populacional, ademais do cuidado individual”.

 

À publicação da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Giovanella afirma que mesmo com desafios e fragilidades, a Estratégia Saúde da Família (ESF/APS) no SUS pode atuar de forma crucial para o controle do contágio, “um potencial que se pode dizer foi desperdiçado pelo governo federal”. Confira trecho da entrevista realizada por Danielle Monteiro:

 

“A Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), em especial a Estratégia Saúde da Família (ESF), com suas equipes multiprofissionais e enfoque comunitário e territorial (e que tem apresentado ao longo do tempo impactos positivos comprovados na saúde da população, importante recordar), pode e deve atuar na abordagem comunitária necessária ao enfrentamento de qualquer epidemia e tem papel decisivo na rede assistencial de cuidados, no controle da epidemia e na continuidade do cuidado.

 

Os desafios para a APS são muitos e incluem em primeiro lugar equipes ESF completas, disponibilidade de equipamentos e insumos, EPIs, medicamentos, testes; educação permanente específica; integração à rede assistencial e ao transporte sanitário; integração com os setores de vigilância em saúde; financiamento adequado…E ressalto, a APS sozinha não pode dar conta do momento atual. Pode sim muito contribuir neste e a todo momento para preservar a saúde de nossa população e defender a vida.

 

Mesmo reconhecendo as fragilidades da ESF/APS no SUS, intensificadas desde o golpe parlamentar de 2016, não se pode negar a importância das mais de 44 mil equipes de Saúde da Família com 260 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) atuando, capilarizadas por todo o país. Um potencial que não foi plenamente acionado em nível nacional. Um potencial que se pode dizer foi desperdiçado pelo governo federal. Nossas equipes de APS conhecem seus territórios, sua população, suas vulnerabilidades e, em geral, atuam na perspectiva da vigilância em saúde, o que é crucial no controle do contágio.

 

No início da pandemia, parte das atividades das Unidades Básicas de Saúde (UBS) foram suspensas, ACS foram retirados dos territórios e passaram a atuar principalmente nas UBS, seja por pressão da demanda e tentativas de reorganização de fluxos para atendimento de casos suspeitos, seja por receio de propagação do contágio. No entanto, com o passar dos meses, muitas equipes desenvolveram novas estratégias e processo de trabalho. Experiências que poderiam informar diretrizes gerais para a atuação da APS neste momento e durante toda a pandemia. A rede de pesquisa em APS realizou uma pesquisa em junho com profissionais da ESF e gestores municipais que mostrou as dificuldades, mas também o engajamento dos profissionais e potencialidades de sua atuação, indicadas pelas experiências locais. Podemos dizer que a APS no SUS está se reinventando. Lembrando sempre que, os modos de operação da APS devem ser adaptados a cada contexto”.

 

Clique aqui e leia a entrevista na íntegra.





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