Artistas e intelectuais lançam manifesto Cultura pela Democracia

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 12 de abril de 2016
Atualizado em: 13 de novembro de 2021

Artistas, intelectuais e lideranças políticas se reuniram nesta segunda-feira (11), no Rio de Janeiro, para o lançamento do Manifesto Cultura Pela Democracia. O ato em defesa da democracia e contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff contou com a presença de personalidades como Chico Buarque, Leonardo Boff, Beth Carvalho, Jards Macalé, Gregório Duvivier, Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros.

O evento foi dividido em duas partes – a primeira reuniu mais de 5 mil pessoas na Fundição Progresso e a segunda parte ocorreu nos Arcos da Lapa, com a participação de cerca de 60 mil pessoas, segundo estimativa da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O manifesto, lido pelo escritor Eric Nepomuceno durante o evento, faz uma defesa da democracia (“ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças”) e afirma que o impeachment é “um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe”. “Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos. Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro”, diz o texto.

Leia a íntegra do manifesto:

Com este manifesto estamos convocando a todos para um ato unitário em defesa da democracia. Será na próxima segunda-feira, dia 11 de abril, às cinco da tarde, na fundição progresso, na Lapa, Rio de Janeiro.

O que vivemos hoje no brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. Uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na eterna tentativa de transformar este nosso país na casa de todos e não na dos poucos privilegiados de sempre.

Nós, trabalhadores das artes e da cultura em seus mais diversos segmentos de expressão, estamos unidos na defesa dessa democracia.

Da mesma forma que as artes e a cultura do nosso país se expressam em sua plena – e rica, e enriquecedora – diversidade, nós também integramos as mais diversas opções ideológicas, políticas, eleitorais.

Mas nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria. O respeito à diversidade de opiniões.

Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial – isso que em português castiço é chamado de ‘impeachment’ – integra a constituição cidadã de 1988.

E é precisamente por isso, pelo respeito à constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. Quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de estado.

Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia.
Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia.
Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro.

Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. Que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida, à dignidade. Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças.

Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos. Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver.

Leonardo Boff
Chico Buarque de Hollanda
Wagner Moura
Fernando Morais
Eric Nepomuceno





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