“Artifícios para intimidar, cercear e tentar impor um regime ao qual a Universidade não irá jamais se curvar”. Leia nota da Andifes sobre nova ação da PF

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 1 de agosto de 2018
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou nota pública manifestando indignação à instauração de inquérito contra o docente Áureo Mafra de Moraes pela Polícia Federal de Santa Catarina. O chefe de gabinete da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi intimado a depor por suspeita de crime contra a honra da delegada Erika Marena, responsável pela Operação Ouvidos Moucos, após participar de ato público pelo 57º aniversário da UFSC. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o processo envolve reportagem da TV UFSC sobre o evento que apresentaria indícios de crime de calúnia e difamação. Na ocasião, Áureo participou de homenagem ao reitor morto Luiz Carlos Cancellier. No vídeo, que mostra faixas de protesto à operação da PF expostas pelos participantes do ato, o professor não faz menção à delegada.

 

O Departamento de Jornalismo da UFSC também se manifestou em nota afirmando que o processo “revela prepotência e autoritarismo”. Segundo o documento, Áureo, que é professor de jornalismo, foi pressionado a identificar integrantes da comunidade acadêmica que protestaram contra agentes públicos responsáveis pela Ouvidos Moucos no evento. Leia a nota aqui.

 

Após ser ouvido pela PF, foi determinado que o docente informe eventuais mudanças de endereço.

Na nota, a Andifes afirma que a abertura de inquérito agride a universidade e a democracia: “Infelizmente, é mais uma demonstração de repetidos abusos e desrespeito à lei que temos vivenciado e que lamentavelmente nos remete à Ditadura, período em que, é bom lembrar, o arbítrio e o abuso de autoridade eram práticas correntes e justificadas com argumentos estapafúrdios”.

 

“A autonomia universitária, resguardada pela Constituição Federal, tem sido desprezada, e aqueles que deveriam fazer cumprir a lei e garantir os direitos expressos na carta magna brasileira, lançam mão de artifícios para intimidar, cercear e tentar impor um regime ao qual a Universidade não irá jamais se curvar”.

 

A Associação conclama a sociedade a “reagir às violências repetidamente praticadas por órgãos e indivíduos que têm por obrigação respeitar a lei e o Estado Democrático de Direito. As Universidades Federais são patrimônio da sociedade brasileira, e não cessarão a sua luta contra o obscurantismo no Brasil”. Leia aqui a nota na íntegra.

 

Assista à reportagem da UFSC sobre o ato público

 

 

Cancellier

 

Luiz Carlos Cancellier se suicidou em 02 de outubro de 2017, após ser acusado pela Polícia Federal de tentar obstruir as investigações da Operação Ouvidos Moucos. A morte trágica do ex-reitor, preso sem ter sido intimado a depor, privado de visitas, apoio espiritual e do convívio na universidade, causou comoção entre representações de trabalhadores/as, estudantes, pesquisadores/as, profissionais da imprensa, universidades e instituições públicas de todo o país. Saiba mais 





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