Adeus ao professor Sebastião Loureiro

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 16 de agosto de 2021
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Professores e professoras, entidades e institutos de ensino e pesquisa lamentam o falecimento do sanitarista Sebastião Antônio Loureiro de Souza e Silva neste domingo (15). Docente aposentado do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), que ajudou a fundar em 1994, Sebastião Loureiro era médico formado na UFBA (1964), onde era Professor Emérito, e decano do Centro de Formação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Foi presidente de entidades do campo da Saúde Coletiva, entre elas a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e a Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (Alames). Esteve à frente da construção de diversos programas e, na Abrasco, conduziu os trabalhos do grupo de militantes que contribuiu para a incorporação do direito universal à saúde na Constituição Federal de 1988. No Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), o professor integrou a coordenação do eixo de pesquisa “Estudos e Pesquisas em Políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde”.

 

Sobre a perda do professor Sebastião, Jairnilson Paim, editor do Oaps, fez a seguinte declaração:

 

Perdi meu grande amigo de mais de meio século! E a Saúde Coletiva latino-americana e a Reforma Sanitária Brasileira perderam um grande companheiro!

Sebastião exerceu uma liderança firme e suave em todas as entidades em que foi Presidente: Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (Alames); Associação Internacional de Política de Saúde (IAHP); e a então Associação dos Profissionais de Saúde Pública da Bahia. Organizamos juntos o primeiro debate público para a implantação do Núcleo Baiano do Cebes em 1976.

 

Um aquariano visionário, Sebastião sempre esteve à frente do seu tempo: inovador, criativo e propositivo. Construiu instituições e programas, como o Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da UFBA, o Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, o Programa de Estudos Epidemiológicos e Sociais (PEES) e o Programa de Doutorado em Saúde Pública. Sempre muito querido por seus colegas de vários países da América Latina e do Caribe, bem como da Europa e dos Estados Unidos.

Tão importante como a figura pública de Sebastião Loureiro era aquela figura humana simpática e afetuosa que gostava de receber amigos, amava a vida como poucos e com um otimismo incorrigível. Nasceu para viver num “tempo da delicadeza”, como afirmei na saudação quando recebeu o título de Professor Emérito da UFBA.

 

Foi quem primeiro convocou o ISC para elaborar proposições e estratégias quando a pandemia da Covid-19 ainda estava na China. E durante o confinamento sofreu como tantos por não poder encontrar amigos para celebrar a vida. Nossas conversas nos últimos tempos passavam pela preocupação com os destinos do Brasil, compartilhando reflexões sobre a brutalidade e o ódio que atingiram a sociedade brasileira.

 

Estou muito triste com a notícia do falecimento de Tião nesta noite de domingo! Mas temos de elaborar essa nossa tristeza, renovando as esperança que ele sempre soube cultivar. Continuaremos defendendo o Direito Universal à Saúde e a Democracia, tal como na 8a. Conferência Nacional de Saúde, no primeiro Abrascão e na militância durante a Constituinte em 1987 e 1988 que marcaram, definitivamente, a sua história.

Um abraço para os familiares de Sebastião e a todos os amigos dos vários coletivos que ele criou e renovou.

 

Em nota, o ISC/UFBA se solidariza com os familiares, colegas e amigos do professor e destaca sua atuação dedicada às “possibilidades de inovação e desenvolvimento institucional, comprometido com o fortalecimento do campo da Saúde Coletiva e da luta social e política em defesa da Reforma Sanitária Brasileira e por uma sociedade justa e democrática”.

 

A Abrasco também se manifestou sobre o legado do sanitarista “do tamanho da sua estatura científica e humana: contribuiu para a formação de centenas de pesquisadores e sanitaristas; estabeleceu as bases das primeiras pesquisas brasileiras em economia, desenvolvimento e saúde, e deixa uma história de afeto numa trajetória de vida ao lado da esposa, Tania Godinho, e dos filhos Daniel e Clarisse”. A associação registra as declarações de amigos, alunos e colegas em uma página de homenagens. Clique aqui para acessar.





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