Acervo da Pandemia de Covid-19 reúne evidências para combate à desinformação, preservação da memória e fortalecimento da luta por justiça e reparação
Autor: Inês Costal
Publicado em: 13 de março de 2025
Atualizado em: 16 de julho de 2025
Logo na página principal, uma contagem mensal expõe o necrossistema que operou no Brasil na pandemia de Covid-19, totalizando 712.781 vidas perdidas até dezembro de 2022. Lançado na última quarta-feira (13.03), o Acervo da Pandemia de Covid-19 disponibiliza evidências de condutas e discursos negacionistas praticados durante a pandemia no Brasil, entre os anos de 2020 e 2022. O repositório digital possibilita acesso gratuito e aberto a materiais multimídia que expõem como agentes públicos e privados agiram de forma a intensificar consequências e repercussões da pandemia no país. Pensado como “um chamado para que tragédias como as da pandemia de covid-19 no Brasil nunca mais se repitam em nossa história”, o acervo seguirá em ampliação, a partir de novas colaborações enviadas ao projeto.
A ferramenta disponibiliza dois tipos de conteúdo: discursos ou condutas anticiência, que expõem falas e evidências de quem atuou contra a vida e a ciência; e denúncias de discursos anticiência, que engloba falas e evidências em defesa da ciência e da vida, com denúncias contra discursos e condutas negacionistas. Um selo que alerta para a presença de desinformação ou de posicionamentos contrários às evidências científicas acompanha os materiais com discursos ou condutas anticiência. Esses itens são complementados com um texto que explica, com base nas evidências científicas disponíveis no período em que o discurso ou a conduta ocorreu, porque as informações são falsas ou imprecisas, além de pontuar o consenso científico estabelecido sobre o assunto desde então.
Os registros documentais em formatos de áudio, vídeo e texto estão organizados em 17 temas: Nível de risco da pandemia; O que é o vírus; Quem vai morrer ou viver; Contágio e imunização de rebanho; Uso de máscara; Isolamento e aglomerações; Lockdown e o impacto na economia; Tratamento precoce; Tratamento em internados; Vacina; Ciência e evidência; Ética e autonomia médica; Organização Mundial da Saúde (OMS); Universidades e institutos de pesquisas; Caso de Manaus; Memória, verdade, justiça e reparação; e Omissões e conivências. Em cada tema, os atores envolvidos são classificados em categorias como empresários, gabinete paralelo, mídias e comunicadores, presidência, movimento antivacina, religiosos, médicos e cientistas, entre outras.
O conteúdo inclui ainda um glossário e o Mapa da Necropolítica. Este último destaca declarações que ilustram como a política da morte, que explicita o poder do Estado em definir quais vidas são importantes e quais são descartáveis, esteve vigente no país durante a pandemia.
O acervo é uma iniciativa do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (AVICO Brasil), o Centro de Estudos de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (CEPEDISA/USP), o grupo de mídia independente Camarote da República e o podcast Medo e Delírio em Brasília.
Clique aqui e acesse o Acervo da Pandemia de Covid-19.
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