Abrascão 2018: Saúde, democracia e luta política na América Latina dão tom à abertura do Congresso

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 27 de julho de 2018
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Os desafios e emoções que perpassam a democratização da saúde e da vida em uma conjuntura de retrocessos na América Latina deram o tom à abertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, nesta quinta-feira (26), no Rio de Janeiro (RJ). A cerimônia contou com a conferência da médica e ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, que preside uma comissão convocada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para formulação de propostas para ampliação do acesso e cobertura de saúde na região das Américas até 2030. Com o tema “Fortalecer o SUS, os direitos e a democracia”, o congresso reúne mais de 7500 inscritos/as na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no campus Manguinhos, até o dia 29 de julho.

 

O atual diretor da Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Gastão Wagner, abriu o congresso com uma homenagem a Marielle Franco. Anielle Franco, irmã da vereadora e ativista assassinada em 14 de março deste ano, subiu ao palco para reforçar a “luta por justiça até o final”. No telão, a mensagem “Marielle Vive” e, entre o público, os gritos de “Marielle Presente”! Em discurso após o ato, Gastão passeou por temas como a defesa da universidade pública diante da privatização e da terceirização, os 30 anos da Constituição Cidadã e do SUS, os avanços dos movimentos de mulheres, o antagonismo entre a Abrasco e o governo federal e a importância de influenciar os programas governamentais em disputa nas eleições deste ano. Enfatizou ainda o espírito do Abrascão: “Somos um movimento que insiste, um movimento que resiste, avançando”.

 

A mesa de abertura foi composta ainda por representantes da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz (Nísia Trindade Lima), Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (Maria Georgina Muniz Washington), Conselho Nacional de Saúde – CNS (Ronald Ferreira dos Santos), Universidade Federal Fluminense – UFF (Aluísio Gomes da Silva Júnior), Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (Roberto Leher), Instituto de Saúde Coletiva da Unirio (Ana Maria Wandelli), Organização Mulheres de Atitude (Patrícia Evangelista) e da Comissão Organizadora Local (Guilherme Franco Netto).

 

Resistência e democracia

 

Coube a Joaquin Molina (OPAS/OMS) apresentar a convidada especial da manhã, Michelle Bachelet, que proferiu a conferência de abertura intitulada “Direitos e democracia: sistemas universais e públicos de saúde”. A primeira ministra da Saúde, primeira ministra da Defesa e primeira presidente da história do Chile falou sobre o compromisso da saúde com a mudança social, o sistema de saúde chileno – sua história, fragmentação, ameaças, desafios e oportunidades – e a necessária relação entre saúde e democracia. “Não é possível falar da saúde das pessoas sem falar da saúde da democracia”, defendeu Michelle, que destacou ainda a ofensiva dos setores conservadores contra o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

 

A ex-presidenta chilena trouxe dados e memórias relacionadas às lutas pela saúde e democracia em diversos países da América Latina e foi firme ao afirmar que o papel que cabe ao setor privado na saúde é o de complementaridade, enquanto o setor público é o espaço para o exercício de direitos. A compreensão das desigualdades territoriais, econômicas, étnicas e de gênero enquanto determinantes de saúde e sua expressão nos indicadores de saúde, como mortalidade materna, infantil e expectativa de vida, em países da região também foram destaque na apresentação. Leia mais sobre a conferência de Michelle Bachelet aqui.

 

Clique aqui para conferir a cobertura colaborativa da Abrasco sobre a abertura do Congresso. 





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