Abrascão 2015: Debate sobre a saúde da população brasileira aponta subfinanciamento e adoecimento coletivo
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 31 de julho de 2015
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022
O primeiro Grande Debate do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva reuniu Jairnilson Paim, pesquisador do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) e coordenador geral do projeto Análise de Políticas de Saúde, Cesar Victora, pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e Madel Luz, pesquisadora associada da Universidade Federal Fluminense (UFF), para discutir "A saúde da população brasileira". O congresso acontece na Universidade Federal de Goiás (UFG) até o dia 1º de agosto. Os três palestrantes apontaram causas para a crise no setor saúde a partir de diferentes pontos de vista: epidemiológico, político e científico-social.
A sessão foi aberta por Cesar Victora, que apresentou dados sobre a saúde das mães e das crianças brasileiras. Victora apontou a queda da mortalidade infantil no país ao longo dos últimos 23 anos, mas a manutenção de altos índices de mortalidade materna. O epidemiologista destacou as taxas altas de cesarianas e complicações do recém-nascido e das gestantes, além de relacionar as taxas de mortalidade materna ao aborto ilegal. Apontou ainda quatro desafios a serem enfrentados pelo Brasil quanto à saúde das mães e das crianças: mortalidade materna, prematuridade, cesarianas e obesidade infantil.
Jairnilson Paim apresentou conquistas do Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos anos, como a melhora no acesso à atenção básica e de emergência e a cobertura universal de vacinação e de assistência pré-natal, mas destacou a queda do financiamento público da saúde. De 1981, antes da implantação do SUS, para 2008, o financiamento público do sistema de saúde caiu de 68% para 56%. Para Paim, o SUS sofre atualmente sete ameaças: rejeição da Emenda Popular Saúde + 10; abertura da saúde ao capital; orçamento impositivo; obrigatoriedade de planos de saúde para empregados; projeto de lei das terceirizações; reconhecimento da constitucionalidade das Organizações Sociais; e comprometimento do governo com a proposta de Cobertura Universal em Saúde. O pesquisador destacou a importância do debate da 15ª Conferência Nacional de Saúde.
Para Madel Luz, palestrante que encerrou o primeiro debate do Abrascão 2015, o trabalho tem sido adoecedor. A cientista social defendeu que o individualismo e a competição motivam a perda dos vínculos sociais, levando ao isolamento e ao adoecimento. Madel apontou que esse cenário influencia diretamente na prática política.
Informações da Ascom Abrasco
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