“Aberração”, “farsa”, “revoltante”: especialistas criticam planos de saúde acessíveis
Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 19 de abril de 2017
Atualizado em: 3 de janeiro de 2022
A proposta dos planos de saúde acessíveis, enviada pelo Ministério da Saúde para avaliação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é tema de reportagem da revista Brasileiros, que ouviu especialistas como o coordenador do Projeto Análise de Políticas de Saúde no Brasil, Jairnilson Paim, o ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a pesquisadora do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Carolina Navarrete, o vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Mário Scheffer, e o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital. A reportagem aponta que o número de usuários/as de planos de saúde no Brasil aumentou de 31 milhões, em dezembro de 2000, para 50,4 milhões em dezembro de 2014. Em queda desde 2015, o setor atende atualmente 47,9 milhões de pessoas, contingente que movimenta um orçamento três vezes maior do que o destinado a 150 milhões de usuários/as do SUS.
“Os defensores do modelo sustentam que ele irá desafogar o SUS ao promover a migração de uma parcela considerável dos usuários do sistema público para a saúde suplementar. ‘Não é isso que vai acontecer. Esses planos são uma farsa’, avalia José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde (2007-2011). […] Por que não serão a solução propagandeada? Primeiro, por causa da cobertura oferecida. O projeto se concentra na atenção básica (consultas e exames simples), área em que o SUS tem uma boa cobertura. ‘Cerca de 60% do atendimento do SUS está na atenção básica, principalmente no Programa Saúde da Família. Então, dizer que esses planos vão desafogar o SUS é retórica. É na atenção especializada que está o gargalo’, diz Jairnilson Paim, professor de Políticas de Saúde da Universidade Federal da Bahia.”
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