A vacina contra a dengue e a necessidade de investimento na área de CT&I são o destaque na edição nº 51 do boletim do OAPS
Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição
Publicado em: 11 de março de 2024
Atualizado em: 30 de abril de 2024
A edição número 51 do boletim do Observatório de Análise Política em Saúde (Oaps) destaca o uso da vacina contra a dengue no Brasil e a importância de investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação no país. Com mais de 1,2 milhão de casos prováveis e 329 óbitos pela doença, o Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer vacina contra a dengue no sistema público de saúde e iniciou a vacinação no mês de fevereiro com o imunizante Qdenga, da farmacêutica Takeda.
A estratégia organizada pelo Ministério da Saúde (MS) prioriza a população de municípios de grande porte (população igual ou maior do que cem mil habitantes), com alta transmissão nos últimos 10 anos, localizados em regiões endêmicas. A partir desse planejamento, o início da vacinação em 2024 inclui 521 municípios de 16 estados e o Distrito Federal. Há também um recorte etário: o público inicial para aplicação dos imunizantes é o de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Porém, foi necessário ainda adotar o escalonamento das idades – começando a imunização com crianças de 10 a 11 anos – como estratégia diante do quantitativo limitado de doses disponíveis.
Ainda que a japonesa Takeda esteja atendendo prioritariamente o MS, há necessidade de priorização do público e escalonamento na faixa etária escolhida para início da vacinação devido à capacidade limitada de produção do imunizante frente à demanda do país. Com o total de 6,52 milhões de doses, o máximo disponível no laboratório para este ano, será possível vacinar cerca de 3,2 milhões de pessoas com o esquema vacinal requerido: duas doses, com intervalo de 90 dias entre elas.
O quadro chama a atenção para a dependência do país na produção de medicamentos e vacinas. Segundo o MS, mais de 90% do IFA [ingrediente farmacêutico ativo], matéria-prima usada para produção de vacinas e medicamentos, é importada; a dependência pode chegar a 95% ao considerar o domínio das etapas do processo de produção.
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