8 de luta

Autor: Equipe de Redação
Publicado em: 7 de março de 2017
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

Violência. Machismo. Onda conservadora. Governo Temer. Reforma da previdência. Reforma Trabalhista. São muitos os motivos para os movimentos de mulheres se organizarem em protesto neste 8 de março – Dia Internacional da Mulher – e, no último ano, os motivos aumentaram. Em 2017, coletivos feministas, organizações da sociedade civil e mulheres de pelo menos 48 países preparam a Greve Internacional de Mulheres (GIM). Em sua maioria organizado através das redes sociais, o movimento é inspirado na greve de mulheres islandesas em 1975 e também em mobilizações como Ni Una Menos, na Argentina, Chile e Uruguai e outros países da América Latina (junho de 2015 e 2016); Marcha das Polonesas contra a criminalização do aborto (outubro de 2016); Mulheres Brasileiras Contra Eduardo Cunha e a criminalização do aborto (outubro de 2015); e Marcha das Mulheres Contra Trump (janeiro de 2017).

O movimento reúne reivindicações comuns, como a liberdade de deliberar sobre as próprias vidas e escolhas, e demandas específicas, de acordo com cada realidade local. Em manifesto, a organização internacional da greve afirma: “Nós, as mulheres, não vamos mais tolerar as restrições que nos são impostas por aqueles que estão no poder. Unidas como em nenhum outro momento da história, constituindo mais da metade da população do planeta e focadas no bem comum, lutaremos sem parar até que nossas demandas sejam cumpridas. Os poderes vigentes não acataram as nossas demandas por direitos, então agora, eles vão nos temer”.

A greve internacional feminina tem a participação de países como Austrália, Bolívia, Chile, Costa Rica, Inglaterra, França, Alemanha, Honduras, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, México, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Coreia do Sul, Suécia, Turquia, Uruguai, Estados Unidos e Brasil, que aderiram à convocatória para protestar contra as desigualdades de gênero, o feminicídio, a exploração econômica e a desumanização das mulheres. O Brasil ocupa o 5ª lugar no ranking de feminicídios no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de feminicídios no país é de 4,8 para 100 mil mulheres. 

No Brasil, iniciativas como a Parada Brasileira de Mulheres e o movimento 8M no Brasil convocam as mulheres de todo o país a paralisarem suas atividades produtivas com o lema: “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”. Entre as formas de protesto sugeridas estão: a parada total, no trabalho ou nas tarefas domésticas e nos papeis sociais como cuidadoras, durante a jornada completa; a parada de tempo parcial da produção/trabalho por uma ou duas horas; apitaço no horário do almoço; uso de elementos lilás nas vestimentas, nos carros e nas casas; participação em manifestações e marchas; uso das hashtags #8m #8mbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo.

“Existem muitas formas alternativas de aderir à Greve Internacional de Mulheres. Uma das mais importantes é parar por um dia os trabalhos domésticos justamente para torná-los visíveis e demonstrar que essas tarefas devem ser valorizadas, sobretudo pelo governo que, ao propor na Reforma da Previdência igualar o tempo de contribuição entre homens e mulheres, ignora solenemente que a grande maioria de nós cumpre jornadas duplas de trabalho diariamente. Parar por um dia as atividades de cuidado é uma forma de ressignificar o conceito de greve, que ao longo da história esteve vinculado somente ao trabalho produtivo. Queremos visibilizar também o trabalho reprodutivo e não-remunerado que nós mulheres desempenhamos”, diz a convocação. Leia aqui a lista dos atos programados para o dia 8 de março no Brasil.

O movimento destaca uma série de ataques que ameaçam direitos sociais e conquistas das mulheres brasileiras desde o impeachment de Dilma Rousseff e o início do governo de Michel Temer, entre eles a articulação da primeira equipe ministerial sem mulheres desde o governo ditatorial de Ernesto Geisel (1974-1979) e a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres enquanto ministério, passando a ser subordinada ao Ministério da Justiça e Cidadania, o que foi avaliado como uma ameaça às políticas públicas de defesa e garantia de direitos das mulheres por pesquisadoras e ativistas. (Leia mais sobre políticas públicas para mulheres na entrevista de Estela Aquino ao OAPS).

A origem do Dia Internacional da Mulher é controversa. Pesquisadores/as apontam que a alemã Clara Zetkin (1857-1933), deputada e integrante do Partido Comunista Alemão, sugeriu durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem (1910), a criação de um Dia Internacional da Mulher, mas sem a definição de uma data precisa. O 8 de março é associado também à greve organizada por tecelãs e costureiras de São Petersburgo, na Rússia, em 1917, e mais comumente a um incêndio numa fábrica têxtil de Nova Iorque (EUA), quando operárias morreram queimadas após o patrão ter ateado fogo ao prédio por conta de uma greve, em 1911.





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