Visões Críticas sobre os Modelos Portianos
Autor: José Antonio de Freitas Sestelo*
Publicado em: 2 de agosto de 2019
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
Introdução
Em 1980, depois de 5 anos de pesquisa empírica, Michael Eugene Porter publicou o seu livro Competitive Estrategy, que consagrou o conceito emergente de vantagens competitivas em um ambiente acadêmico sobre administração e negócios onde prevalecia até então a noção consagrada de competição para se referir à relação entre empresas industriais.
Ele é autor de 16 livros e de mais de 60 artigos publicados por prestigiosas revistas acadêmicas. Seu Competitive strategy: techniques for analysing industries and competitors (1980) foi reeditado 53 vezes e traduzido em 17 línguas; enquanto que Competitive advantage: creating and sustaining superior performance (1985) já foi reeditado 32 vezes (AKTOUF, 2002).
A ampla difusão desta produção repercute em setores estratégicos como a assistência à saúde ao modo de um desdobramento especializado da voga gerencialista mais ampla que se tornou hegemônica entre gestores de organizações assistenciais públicas e privadas desde os anos 1990 até os dias de hoje.
Este artigo revisa os principais elementos teóricos dos modelos sobre estratégias de competição propostos por Michael Eugene Porter, bem como seus conceitos operacionais mais difundidos a partir dos anos 2000. Em seguida, apresenta as principais visões críticas publicadas sobre esses modelos com destaque para a crítica substantiva apresentada por Omar Aktouf em 2002 e discute o impacto ideológico e político do porterismo sobre a formulação de políticas públicas de assistência à saúde no Brasil atual a partir da análise crítica de uma publicação da Associação Nacional de Hospitais Privados – ANAHP (ANAHP, 2015).
Porter e seus modelos
A definição de estratégia nas obras referidas acima refere-se, originalmente, a ações ofensivas ou defensivas de empresas para criar ou sustentar uma posição dentro de uma indústria ou campo de atuação empresarial.
Porter identificou cinco forças competitivas determinantes para a definição da natureza e do grau de competência de uma empresa na obtenção de resultados sobre um investimento denominadas esquematicamente de: poder de barganha dos fornecedores; ameaça de produtos substitutos; poder de barganha dos clientes; ameaça de novos entrantes e rivalidade entre concorrentes.
Nesse cenário o autor delineou três estratégias genéricas passíveis de aplicação isolada ou simultânea por empresas que pretendem defender suas posições ou prevalecer sobre seus concorrentes em um determinado campo industrial: liderança em custos totais baixos; diferenciação e enfoque.
Leia aqui o artigo na íntegra.
*Pós-doutorando do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC-UFRJ).
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