Vai passar? Crença e esperança em tempos de pandemia
Autor: Marina Rougeon*
Publicado em: 25 de junho de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022
Nesta crise sanitária causada pela COVID-19, foi aparecendo no Brasil e em vários outros países um certo discurso que circula bastante nas redes sociais e na internet, com mensagens e muitas vezes desenhos de crianças que procuram apaziguar, tranquilizar: “vai passar”. Além das iniciativas individuais, acompanhamento emocional e apoio psicológico, instituições oficiais apostam em estratégias de comunicação visual para inspirar a calma numa quarentena longa, com duração até agora indeterminada no que se refere à sociedade brasileira.

Imagem de apresentação do site prefeitura de Pirassununga, Estado de São Paulo
Na Itália, um arco-íris desenhado com a frase “vai ficar tudo bem” (andrà tutto bene) se tornou um slogan visual amplamente difundido nas redes sociais – #andratuttobene –, com desenhos coloridos de crianças. Foi reapropriado no Brasil com o slogan #tudovaificarbem, cantado pelo musico sertanejo Fernando Niva.

Cobertura de La Voce di Mantova, jornal independente da região da Lombardia, Italia
No Québec, essa mensagem foi materializada por roupas coloridas penduradas em varais nas ruas, reproduzindo assim o arco-íris.

Fotografia de Yan Doublet, Le Soleil, Québec, março de 2020
A maioria destas mensagens resgata um “pensamento positivo”, uma forma de “cultivar a felicidade” para viver melhor a quarentena . “Vai passar” remete ao acreditar, e a uma certa fé. Precisamos acreditar que tudo vai acabar! Luzes, cores, os astros e manifestações da natureza como o sol ou arco-íris convidam a enxergar outra coisa num período emocionalmente extremo, e por vezes caótico. Nos convidam a olhar o entorno, os outros, nós mesmo, de outra maneira. Nos convidam a nos projetar em tempos mais leves, com o afeto dos próximos, dos outros reencontrados, manifestado pelos abraços e beijos depois de um longo afastamento. Trata-se de mensagens de esperança. Como forma e promessa próxima de libertação, a esperança constitui uma âncora bastante mobilizada frente ao desconhecido.
Leia aqui o texto na íntegra.
*Doutora e pós-doutora em Antropologia. Professora convidada (ISC/UFBA) e pesquisadora do Programa Integrado Comunidade, Família e Saúde (FASA-ISC/UFBA).
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