Urgente e necessário debate estratégico da Saúde
Autor: Túlio Batista Franco
Publicado em: 7 de junho de 2024
Atualizado em: 8 de julho de 2024
Tenho dito há algum tempo que é necessário que as pessoas se apaixonem pelo SUS. Um projeto que visa a um grau civilizatório elevado, onde a sociedade cuida dos seus, e todas as pessoas têm os mesmos direitos à saúde e à vida. O que nos move é sobretudo um projeto de futuro. A paixão é um estado de ânimo, capaz de mover com intensidade as forças individuais e coletivas, que funcionam como força propulsora, para a construção do mundo. Nosso mundo é a defesa da vida, da democracia e o fortalecimento do SUS. Essa insígnia da Frente pela Vida colou em nós, como é a luta cotidiana em defesa da saúde universal, com tudo o que isto significa de enfrentamento, por exemplo, com o projeto neoliberal. Devemos pensar em como mobilizar os afetos mais intensos a favor da política de saúde, mesmo contando com a adversidade dos tempos atuais.
Um projeto estratégico que aponta para o futuro é o que poderia recuperar a “utopia ativa”, o sonho que nos faz caminhar. Ele é capaz de dar um norte, onde o dia a dia tem relação com esta “imagem objetivo”: o SUS universal sustentado, a democracia, liberdade e justiça, solidariedade.
Nos últimos anos fomos invadidos por novas questões que desafiam mais intensamente a humanidade, e por assim dizer, a saúde dos povos. Atônitas, as pessoas são levadas a viver experiências até então desconhecidas, como a tragédia da pandemia de covid-19, o distanciamento social, que se misturaram a cenas até então vistas apenas em filmes de ficção que anunciavam o fim do mundo. Ninguém ficou impune diante da morte de mais de 7 milhões de pessoas em quatro anos no espaço global, e que segue como uma grande questão ainda não totalmente encerrada, pois espera-se novas pandemias para os próximos anos.
Adicionalmente ao cenário global doentio, somos surpreendidos com eventos climáticos extremos, de um planeta febril que reage: chuvas torrenciais no deserto em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que produziram cenas improváveis de ruas alagadas e carros submersos; enchentes no norte do Afeganistão que deixaram centenas de mortos; seca na Amazônia brasileira, fogo no Pantanal, desastres climáticos devastadores no Rio Grande do Sul. Só pra ficar em alguns exemplos de reações do planeta às agressões que sofre, movidas pela ganância do capital, e atividades extrativistas e predatórias de grandes corporações. Ao mesmo tempo nos atravessa o negacionismo climático e da ciência, como estratégia para manter tudo como está. Associado a fake news sobre o clima, ao grande capital, e ao mercado de carbono. Ou seja, a desgraça climática, como tudo, virou mercadoria, e dá lucro. Hoje se compra o direito de jogar gás de efeito estufa pro alto, e matar a camada de Ozônio, contribuindo para o derretimento de geleiras, aquecimento dos oceanos, etc… O resto da história todas pessoas estão vendo e vivendo.
*Texto publicado originalmente no Outra Saúde.
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