Uma eleição para repensar o viver nas cidades

Autor: Wagner de Alcântara Aragão*
Publicado em: 16 de outubro de 2020
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

Recorde de candidatos. Campanha mais curta. Pandemia no meio do caminho. Olho em 2022. O processo eleitoral de 2020, enfim já oficialmente iniciado, começa caracterizado por esses fatores mencionados. Mas, em que pese o impacto de tais condicionantes, quem busca o bom combate, a boa política, não pode perder o rumo: eleições municipais servem para discutir as cidades.

Em tempo: não se trata de negar a política, nem rechaçar discussões ideológicas, filosóficas, conceituais, nem cair na cantilena da “discussão técnica” – como se a técnica não fosse fruto de concepções de mundo, ou fosse “neutra”. Trata-se de canalizar modos de enxergar o mundo para repensar o viver nas cidades.

Diante de contexto tão sui generis – uma crise fitossanitária escancarada e acentuando mazelas históricas – tal repensar se torna ainda mais relevante. E determinante.

Como candidatos e candidatas a Prefeituras e Câmaras de Vereadores – e são mais de 542 mil postulantes em todo o Brasil, segundo o Tribunal Superior Eleitoral – pretendem, por exemplo, conduzir o retorno às aulas presenciais em 2021? O que propõem para a volta segura, e inclusiva? O que apresentam para recuperar este ano letivo, perdido, para boa parte de crianças e adolescentes?

Quando falamos “retorno às aulas”, “volta segura” não estamos a tratar apenas de exigir álcool em gel e máscara para estudantes e educadores. Estamos falando de políticas educacionais no âmbito municipal adequadas ao tal “novo normal”, levando em conta um baita empecilho extra: a total falta de uma articulação coordenada pelo Ministério da Educação, a julgar por palavras recentes do próprio titular da pasta.

Que instrumentos – fiscais, inclusive – o poder público municipal pode lançar mão para combater desigualdades socioeconômicas locais? Precisamos perguntar isso aos postulantes ao Executivo e Legislativo municipais, e exigir dessas centenas de milhares de candidatos coerência e propostas de equidade. Garantir renda básica, fomentar a economia solidária – ou a Economia de Francisco e Clara – é conduzir a vida nas cidades por um caminho mais justo, seguro e sustentável.

 

Leia aqui a análise na íntegra.

 

Publicado originalmente em Brasil Debate.

*Jornalista e professor. Mestre em estudos de Linguagens. Licenciado em Geografia e bacharel em Comunicação. Mantém e edita a Rede Macuco.





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