Tempos modernos? Trabalho das mulheres em pandemia

Autor: SOS Corpo*
Publicado em: 4 de maio de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

A forma de desenvolvimento capitalista produziu historicamente uma vida cotidiana em que o tempo social que conta, ou seja, o tempo de trabalho que tem valor, é aquele empregado na produção de mercadoria, gerador de mais-valia. A apropriação do tempo de trabalho é uma dimensão fundante e permanente da organização social capitalista.

Neste sistema, que é consubstancialmente patriarcal e racista, o trabalho produtivo é uma dimensão central e determinante na organização e nas dinâmicas da vida cotidiana. A ideologia dominante construiu uma aparência da vida social na qual as necessidades humanas, concretas e diárias, não são levadas em consideração. É sempre, e cada vez mais, o lucro o que importa.

 

No atual tempo moderno influenciado pela pandemia do covid-19, o home office é o termo que está em voga nos principais sites, em propagandas de bancos e empresas de telefonia no Brasil. O tal do “escritório em casa” tem sido uma modalidade de trabalho romantizada há muito tempo, especialmente pela categoria de coachs que enriqueceram às custas de um discurso do “seja você seu empreendedor” — ou são eles(as) mesmos vítimas da armadilha. Porém, em tempos de crise social, econômica e sanitária provocada pelo novo coronavírus, essa romantização tem ajudado a aprofundar as desigualdades de gênero, de raça e de classe e é um artifício para precarizar e superexplorar o trabalho, principalmente das mulheres.

 

O que para alguns se apresenta como solução em tempos de confinamento, o home office, na verdade, esconde algumas realidades díspares e desiguais. Uma delas é de quem tem acesso, possibilidade e até mesmo as condições de trabalhar em casa, uma vez que nem toda classe trabalhadora está situada em empregos formais ou possuem uma estrutura doméstica que possibilite a reprodução de um “escritório em casa”. E, sobretudo, que estejam em um trabalho possível de ser executado remotamente. Mesmo nestes contextos, somos nós, mulheres, aquelas que mais têm sido alvo desta modalidade de trabalho, especialmente como forma de precarizar e promover a chamada conciliação entre trabalho remunerado e não remunerado.

 

Leia aqui o texto na íntegra.

 

Publicado originalmente em Outras Palavras.
*Organização sediada em Recife/Pernambuco que atua para a emancipação das mulheres e construção de uma sociedade democrática e igualitária com justiça socioambiental.





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