SUS: Como garantir Carreira Única em contexto de privatizações

Autor: Fernanda Regina Cunha
Publicado em: 5 de fevereiro de 2026
Atualizado em: 31 de março de 2026

Que tipo de Sistema Único de Saúde (SUS) o país quer sustentar quando olha para quem faz o sistema acontecer todos os dias? A recente aprovação, pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Protocolo nº 012/2025 da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS recoloca essa pergunta antiga em tom de urgência.

O texto pactuado estabelece diretrizes nacionais para estruturar, pactuar, implementar, financiar e acompanhar uma Carreira Única Interfederativa, com adesão voluntária de estados e municípios, mirando a superação da precarização e das desigualdades de condições de trabalho entre territórios.

A Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS, fórum paritário que reúne gestores, prestadores e representação sindical para negociar relações e condições de trabalho no SUS, é o espaço onde essa engenharia política foi costurada. Ao criar um “chão” de princípios e diretrizes, o protocolo tenta dar forma ao que, na prática, vive fragmentado. São vínculos múltiplos, carreiras desencontradas, salários e jornadas que necessitam ser revistos.

A proposta também se apoia nas deliberações da 17ª Conferência Nacional de Saúde e da 4ª Conferência de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, reconhecendo a carreira única como decisão política já amadurecida no controle social.

No rastro das deliberações da 17ª CNS, para Ronaldo de Souza Costa, superintendente do Ministério da Saúde no Mato Grosso do Sul, a pergunta central é direta: “Como implantar Carreira-SUS Única Nacional Multiprofissional e Interfederativa em OSs, OSCIPs, Filantrópicas, PPPs nesse contexto de entrega das unidades de saúde públicas para o setor privado?”

*Texto publicado originalmente no site do Cebes.





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