Saúde versus Economia: uma falsa oposição

Autor: Luiz Filgueiras* e Graça Druck **
Publicado em: 30 de março de 2020
Atualizado em: 7 de janeiro de 2022

O mundo vive hoje, com a pandemia do Coronavírus, uma guerra e o Brasil faz parte dela. Mas, diferentemente dos demais países, temos a presença entre nós de uma “5ª coluna”, que trabalha aberta, cínica e descaradamente para derrotar-nos. E esse inimigo da nação é claramente identificado e conhecido de todos nós, tem nome e endereço certo: chama-se Jair Bolsonaro e tem residência no Palácio do Planalto.

 

Como já é sabido por todos minimamente informados, Bolsonaro não disfarça suas intenções: quer implantar uma ditadura neofascista no país, fechando o Congresso Nacional, extinguindo os partidos políticos, avassalando o Poder Judiciário e controlando todas as instâncias da vida social. As suas ações, desde sempre, mesmo antes de chegar à Presidência da República, são reiteradamente direcionadas para atingir esse objetivo.

 

Na guerra que o mundo trava hoje contra o coronavírus, Bolsonaro se destaca negativamente, mesmo entre os seus colegas neofascistas chefes de Estado de vários países, por se contrapor, solitariamente, às orientações e recomendações de todas as instituições científicas, médicas e de saúde internacionais e nacionais – destoando completamente, pelo seu discurso e comportamento, do que vem sendo dito e feito em relação ao combate à pandemia. Em especial, se opondo à necessidade de isolamento social (quarentena) como condição fundamental para restringir e limitar a difusão da doença – tendo em vista o que aconteceu e está acontecendo com a China, a Itália, a Espanha e, agora, os EUA.

 

O “5ª coluna” age através de um governo paralelo, que mina, desacredita e desmoraliza as iniciativas e recomendações de seu “próprio governo” (Ministério da Saúde). Enquanto este se alinha às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue as diretrizes mais gerais que vêm sendo praticadas em todo mundo, o governo paralelo – capitaneado por Bolsonaro, seu filhos e suas milícias digitais –, sem nenhum amparo médico-científico, age criminosamente para sabotar suas iniciativas, em particular, a recomendação básica de isolamento social – condição fundamental para que o sistema de saúde não entre em colapso.

 

Contrapondo falsamente “economia versus saúde” das pessoas, Bolsonaro age aterrorizando a população com o fantasma do desemprego e a paralisia das atividades econômicas, decorrentes do isolamento social, destacando o que seria a sua consequência óbvia: a ausência de rendimentos e a impossibilidade das famílias se sustentarem e sobreviverem. O alvo é, principalmente, a grande massa de trabalhadores que vive na informalidade: autônomos, conta-própria, microempresários e afins.

 

Leia aqui na íntegra.

 

*Professor Titular da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia – UFBA

**Professora Titular da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.





Deixe um comentário







Instituto de Saúde Coletiva • Universidade Federal da Bahia • Rua Basílio da Gama, s/n • Campus Universitário do Canela • 40.110-040 • Salvador-Bahia • +55 71 3283-7441 / 3283-7468

© 2024 Observatório de Análise Política em Saúde. Todos os direitos reservados.