Quem vê PIB não vê coração
Autor: Paulo Schwartzman
Publicado em: 20 de fevereiro de 2024
Atualizado em: 14 de março de 2024
Atualmente basta abrir qualquer site de notícias, de direita ou de esquerda, em mídia física ou digital, para entender que o PIB é a métrica mais utilizada como padrão definidor do “sucesso” de uma nação.
Como exemplo disso, e pegando como base só o dia 31 de janeiro de 2024, cito três reportagens de veículos de mídia diferentes que abordam a temática do PIB sob diferentes ângulos, mas sempre utilizando o PIB como referencial: temos a reportagem da Carta Capital pontuando os esforços do governo a fim de que o PIB cresça mais de 2% (aqui); a reportagem do Antagonista explicando que o governo irá “forçar” o aumento do PIB por meio dos programas PAC e Minha Casa, Minha Vida (aqui); e reportagem do Infomoney que indica a expectativa da queda de juros para terreno mais neutro, o que favoreceria o PIB crescer mais do que o esperado (aqui).
O que todas as reportagens têm em comum? A pibolatria (para pegar o termo emprestado do professor Conrado Hübner Mendes, com texto também ácido que pode ser lido aqui) é esse fetichismo de achar que o PIB indica qualquer coisa a mais que não apenas o Produto Interno Bruto de um país. Pior: é achar que aumentar o PIB é a maior prioridade de um país.
Seria engraçado se não fosse tosco. Para traduzir em termos leigos, é quase o mesmo que julgar o caráter de uma pessoa pelo tamanho de sua carteira, simplesmente não faz sentido!!
Enfim, seja qual for o matiz do espectro político, seja qual a nuance abordada, o fato é que o PIB tomou uma proporção muito grande na atualidade. Mas será que essa proporção condiz com a real relevância de tal métrica? Ou será que essa é mais uma métrica que nada de concreto afere em termos de positivo para um país?
*Texto publicado originalmente no site Brasil Debate.
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