Quem é Nelson Teich e o que podemos esperar do novo ministro da Saúde do governo Bolsonaro?

Autor: Henrique Saldanha*
Publicado em: 17 de abril de 2020
Atualizado em: 6 de janeiro de 2022

A crise entre Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta chegou ao fim nesta quinta-feira, 16 de abril. O ministro da Saúde, que há semanas vinha batendo de frente com o presidente da República, foi demitido na tarde de hoje (16). O centro da crise estava nas críticas públicas que Mandetta vinha expressando pelas posturas de Bolsonaro de estimular a quebra do regime de distanciamento social para o combate ao Coronavírus. Bolsonaro se reuniu nesta quinta-feira com o médico Nelson Teich e o apresentou como novo ministro da Saúde.

Em sua página na Plataforma Lattes1, atualizada pela última vez em agosto de 2014, Nelson Teich informa que possui graduação em medicina pela UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1980) e especialização em oncologia pelo INCA – Instituto Nacional de Câncer (1990). Na sua página pessoal no Linkedin2, Nelson Teich se apresenta como fundador e presidente do GRUPO COI (Clínicas Oncológicas Integradas) de 1990 a 20 de maio de 2018. O COI foi adquirido em setembro de 2015 pela United Health Group / Amil. Além do COI, há informações públicas3 que ele foi gestor de outras empresas do ramo da saúde e representante da United Health Group no Brasil. Foi assessor (setembro de 2019 a janeiro de 2020) e consultor (fevereiro a março 2020) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde durante o governo Bolsonaro. No site da University of York4 consta a informação de que Nelson Teich é estudante de Doutorado em Ciências da Saúde e Economia da Saúde.

 

Nelson Teich participou da equipe do programa do então candidato Jair Bolsonaro5. Foi levado para compor a equipe por Paulo Guedes e foi um dos nomes ventilados para assumir o ministério da Saúde no início do governo. Ainda durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro foi bastante criticado pelo pobre programa de governo para a saúde que apresentou. Falas sobre “fazer mais com os mesmos recursos” e “eficiência na gestão” se tornaram retóricas do presidenciável durante a campanha.

 

Não é de se espantar que textos e palestras de Nelson Teich foquem no tema da eficiência dos gastos de recursos e um sistema de saúde segmentado. Em 2019, num fórum de Oncologia6, Teich defendeu “um sistema público segmentado por diferentes patologias e regiões” que funcione a partir do dinheiro que se tem à disposição, para assim avaliar a necessidade da população e buscar a eficiência do sistema. Todo esse discurso vai na contramão dos estudos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), que apontam a necessidade de fortalecer um sistema unificado de saúde, integral e resolutivo e corrigir a crônica defasagem de recursos públicos para o SUS.

 

Leia aqui a análise na íntegra.

 

*Professor da UFBA e doutorando em Saúde Pública.





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